quarta-feira, 9 de março de 2011

Há beatas no petróleo...

Na próxima quinta-feira, e aproveitando o ambiente carnavalesco que se vive em Portugal por estes dias, o Bloco de Esquerda irá apresentar a sua famosa moção de censura. Nesse mesmo dia, Kadhafi poderá já não estar no poder na Líbia. De facto, estamos numa era muito complicada para pseudo-tiranos. As coisas não andam nada fáceis para quem pensa que os seus poderes lhe foram delegados por uma entidade superior. O mundo islâmico está em ebulição; Portugal está em banho-maria. Sempre fomos um povo mais brando. Uma coisa é inegável: a história de Kadhafi e Sócrates parece estar interligada e não parece augurar nada de bom para o futuro dos dois. As semelhanças entre ambos são imensas. Podemos começar pelo medo do Bicho Papão estrangeiro. Kadhafi receia ver o seu país invadido pelos americanos, que têm tanto interesse pelos direitos dos líbios como eu tenho pela qualidade das minhocas utilizadas na pesca desportiva. Por seu lado, Sócrates tem pesadelos com a cada vez mais inevitável invasão do FMI. As noites não devem ser muito sossegadas. Outra coisa que os aproxima é o facto de evitarem a todo o custo sair do poder com dignidade, mesmo quando já repararam que pouco poder ostentam. Já parecem o Frodo agarrado ao anel. Contudo, quando estão desesperados, tratam muito bem das revoltas contra as suas governações. Ficamos a saber no dia de ontem que a Universidade de Cartum, no Sudão, pretende retirar o título de doutor honoris causa a Kadhafi. Até nisto são parecidos. José Sócrates será eternamente confrontado com a sua possível "não-licenciatura" e a Kadhafi irão tirar o doutoramento. Nem a vida académica corre bem a estes senhores. Só faltava ficar a saber-se que o doutoramento de Kadhafi ocorreu ao domingo. Mas não deve ter sido porque no Sudão há pessoas sérias. Kadhafi padece de outra maleita muito grave: não há unanimidade em relação à forma como se pronuncia o seu nome. Para uns é Kadhafi, enquanto que para outros poderá ser Gadhafi, al-Khaddafi ou al-Qadhafi. E como vimos na última campanha para as legislativas, existem militantes do PS com altos cargos no partido que também não sabem ao certo o nome do mestre: pode ser Sócrates, Socrates, Sócratas, Socras ou simplesmento Socas. Na escola, Kadhafi destacou-se na Matemática, na Literatura e na Geografia. Matérias relativamente às quais Sócrates tem tido muito dificuldade: tem um Ministro das Finanças que não percebe nada de Matemática; escolhe Ministras da Educação que, na Literatura, enveredam pelos policiais; e teve um Ministro das Obras Públicas que afirmava que a margem sul é um deserto, o que mostrava toda a sua ignorância no que respeita a conhecimentos geográficos. E termino com a maior semelhança entre estas duas personagens: ambos passaram vários anos da sua vida a abominar o Socialismo. Kadhafi abominou o Socialismo aproximadamente até 2005. Por seu turno, Sócrates tem abominado o Socialismo desde que se tornou Primeiro-Ministro. Eles até podem ter petróleo mas nós temos o tinto carrascão. E é fácil de ver qual de entre estas duas coisas mais falta fará ao mundo civilizado.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aloe Blacc - I need a dolar

Dedicada a todos aqueles que votaram no Sócrates...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

E tu, já encontraste um idoso hoje?

Tudo o que se passa neste planeta se resume a uma questão de modas. As variações das preferências do ser humano determinam o respectivo desenvolvimento da sociedade em questão. Em Portugal, por exemplo, variamos constantemente no tipo de jogos sociais mais apreciados. Os tradicionais Monopólio e Pictionary foram sendo substituídos por outro género muito apreciado: Bullying. De um momento para o outro, todas as crianças em Portugal participavam neste jogo. Uns do lado activo, outros do lado passivo, claro está. Mas todos os jovens portugueses participavam, segundo as notícias inflamadas dos jornais. A moda, inevitavelmente, passou. Demorou a passar mas acabou por perder a piada. E como não podiam os portugueses estar muito tempo sem um passatempo divertido, eis que surge mais uma novidade ao nível lúdico que está a fazer grande sucesso entre toda a população. Depois de tanto termos procurado um jovem de nome Wally durante a infância, agora o jogo passa por encontrar idosos falecidos em casa, sozinhos ou com o animal de estimação por perto. Ganha quem encontrar mais idosos e o critério de desempate é o número de anos que o corpo do idoso esteve lá abandonado. Da noite para o dia, muitos idosos passaram a falecer teimosamente em sua casa apenas para que conseguissem ser notícia uma vez na vida. Há pessoas que fazem de tudo por cinco minutos de fama. Até agora, nenhum idoso falecia abandonado na sua própria casa. Nos últimos dias tem sido um fartote. Aquilo que antigamente era uma notícia triste e sobre a qual se deveria reflectir, agora é uma notícia fantástica e bombástica. Todos os dias aparecem títulos de jornais a dizer :"E aí está, mais um idoso encontrado morto". Parece algo espectacular. Um dia destes compramos uma casa com o respectivo recheio e deparamo-nos com um corpo no chão. Será que isso valorizará a casa se a quisermos vender no futuro? Vamos começar a ver anúncios nos classificados do género: "Vendo T2, mobilado, com vista para o mar. Em perfeito estado de conservação, pouca humidade, ideal para corpos abandonados. Inclui garagem e dois corpos ao fundo do corredor." Tanto sensacionalismo até faz ficar com a ideia de que os idosos estão a fazer de propósito para arruinarem com os empregos dos mediadores imobiliários e dos decoradores de interiores. Parecendo que não, um corpo de um idoso combina com muito pouca coisa. É difícil enquadrá-los na harmonia decorativa de qualquer divisão de uma casa. Até para a polícia é uma surpresa os idosos falecerem sozinhos em casa. Quando se vai à GNR fazer a participação do desaparecimento da Sra. Maria que já praticamente não pode andar, a última coisa que os agentes considerarão nos seus raciocínios é que ela possa estar falecida em casa. É mais fácil pensar que ela possa ter fugido de casa, onde, por acaso, mora sozinha. O chamado cúmulo da rebeldia.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Só na próxima Lua cheia...

E aí está o nosso Presidente da República a mostrar ao Sócrates quem é que afinal manda no país. Só lamento tal chacota por dois motivos: o primeiro, por não ter feito isso já no outro mandato; e em segundo lugar, por se ter vingado ao vetar um diploma que iria beneficiar grande parte dos portugueses, já que poderiam poupar dinheiro nos medicamentos. É pena que o "sôr" Aníbal resolva mostrar agora a famosa "vendetta" cavaquista. Ao pé de Cavaco Silva, o Marquês de Pombal era um menino. Quem vai levar na cabeça com esta birrinha são os doentes, já se sabe. Mas as pessoas já se deveriam ter mentalizado de que em Portugal não se pode estar doente. Somos dos poucos países que preferem ter criminosos a trabalhar em altos cargos nos bancos do que ter doentes a quem é preciso comparticipar nos medicamentos. É tudo uma questão de opções e de prioridades. Não é nada fácil ser doente em Portugal. Experimentem! Há duas semanas, liguei para o centro de saúde para marcar uma consulta com o meu médico de família e disseram-me que tinha consulta já no dia 10 de Março. Já??!! Fiquei todo contente por só faltar quase um mês e meio para ter consulta. Dei pulos de alegria. Mas não muito altos, não fosse aleijar-me. Quando chega o dia da consulta já a maior parte das pessoas não se lembra dos primeiros sintomas. Vou chegar à consulta em Março e direi ao médico que no ínicio de Fevereiro apanhei uma gripe pesada. Como não tinha consulta, não tive outra solução a não ser ligar ao professor Karamba que me prescreveu um medicamento. Ora, como o Cavaco não aprovou o diploma, não pude optar pelo genérico e tive de gastar mais dinheiro. No entanto, agora estou curado. Falarei mais um bocado sobre futebol, política e mulheres, e, depois de dizer tudo isto, levantar-me-ei, darei um abraço ao médico e vou-me embora. Deixa de ser um médico e passa a ser psicólogo. Aos poucos, os governantes deste país estão a tirar-nos tudo. Agora, até controlam os dias em que podemos ou não ficar doentes. Já nem esse direito de escolha temos. É que já tinha coisas marcadas para essa altura da consulta e não me apetecia muito ficar doente por essa data. Mas lá terá de ser. A função pública é que manda. O tempo que se demora a chegar à Lua é bem inferior ao tempo de espera de uma consulta. É pena não haver médicos por lá porque ficava bem mais em conta para os portugueses. Temos momentos determinados para entregarmos a declaração de IRS, temos momentos definidos para levarmos o automóvel à inspecção e temos momentos disponíveis para podermos ficar doentes. A isto chama-se organização competente ou "simplex medicinal".

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Se existe, está em Portugal...

Sincronismo. Mas o que é isso do sincronismo? Cientistas por todo o mundo têm tentado desvalorizar determinados acontecimentos que se verificaram neste planeta, dizendo que certas coincidências muito coincidentes não passam de, imagine-se, puras coincidências. Mas não é verdade. As puras coincidências escondem uma forte teoria, cimentada em observações rigorosas e isentas, como as do Banco de Portugal: a teoria do sincronismo. O exemplo clássico do sincronismo é o vôo de um bando de aves. Voam todas juntas, mudam de direcção em simultâneo e com um rigor extremo. Outro exemplo muito divulgado por esse mundo fora é o chamado efeito McClintock: um grupo de mulheres que trabalha no mesmo local durante um certo período de tempo tende a sincronizar o seu período menstrual. Nos homens também se passa algo parecido: depois de algum tempo a trabalharem juntos, os homens tendem a sincronizar os dias em que vão a boates e chegam bêbados a casa. É o efeito McPiela. Porém, e mesmo sendo confrontados com estes exemplos rigorosos e comprovados, alguns cientistas teimavam em desvalorizar o sincronismo. Mas esses mesmos cientistas não estavam preparados para o mais recente exemplo de sincronismo verificado em Portugal, e que tornará os mais cépticos nos mais crentes. Vamos aos factos: em Portugal, temos várias empresas de combustíveis e que são independentes entre si. Acontece que, de tempos em tempos, uma empresa decide aumentar o preço dos seus combustíveis em dois cêntimos no dia seguinte, por exemplo. Ora, qual não é o espanto dos gestores da empresa quando se deparam com um igual aumento do preço nas outras empresas e, coincidência das coincidências, também no mesmo dia. Como em Portugal temos uma total liberalização dos preços dos combustíveis, o normal seria que as empresas baixassem um pouco os preços para tirarem clientes umas às outras. Deveria uma empresa tomar a iniciativa de baixar o preço, o que levaria a que as outras empresas, quando reparassem que estavam a perder clientes, também baixassem os seus. A liberalização deveria consistir na descida dos preços de uma empresa, levando as outras a seguirem o seu exemplo posteriormente. Em Portugal, pelo contrário, consiste na subida dos preços e, mais engraçado, em simultâneo e em sintonia entre todas as empresas. A autoridade da concorrência não descortinou quaisquer características de mercantilização dos preços dos combustíveis. As evidências afinal não são assim tão evidentes. E se não há mercantilização, aquilo que se passa em Portugal é o mais puro exemplo de sincronismo comportamental. Pessoas diferentes, em locais diferentes e de empresas diferentes, são iluminadas pelo mesmo pensamento, no mesmo dia, à mesma hora. Daria um bom argumento para uma série televisiva. O título seria "CashForward", uma série sobre um grupo de terroristas que, durante dois minutos e dezassete segundos, provoca um desmaio global no país com a subida dos preços dos combustíveis, prometendo mais para o futuro.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Estalada, estaladinha, estaladão...

Parece um feitiço mas não o é. Jesus pecou e todo o mundo assistiu ao seu pecado. Contudo, é preciso ter em atenção que Jesus pecou mas não errou... até porque lhe acertou em cheio. Jesus pode ter toda a paciência do mundo para conviver entre romanos, árabes e judeus. Porém, os seus últimos actos mostraram que ainda não tem maturidade suficiente para conviver entre brasileiros e argentinos. O "salvador" irá ser punido, certamente. Não é preciso chegar ao ponto de o crucificar mas umas chicotadas parecem-me castigo suficiente. O que me causa uma certa alegria é ver os comentários inflamados de um certo treinador de um certo clube que passa a vida a falar do Benfica em vez de se preocupar com a sua equipa. Fico com a ideia de que Villas-Boas fala mais no Benfica que o próprio Jorge Jesus. Villas-Boas chora porque o Benfica tem mais protagonismo na comunicação social; chora porque diz que o Benfica é ajudado pelos árbitros e a ele ninguém o ajuda; chora porque se sente perseguido pela Comissão de Disciplina que insiste em castigá-lo pelo simples facto de ser expulso do banco. Villas-Boas nunca foi treinador do Porto. Ele sempre foi apenas a marioneta de Pinto da Costa, que só fala quando o mestre mexe os dedos e só diz aquilo que o amo quer que diga. Se tivesse de comparar Villas-Boas a um quadro, ele seria o Menino da Lágrima. O penteado até é parecido. E as virgens ofendidas do Dragão (pura ironia, claro está, já que toda a gente sabe que no Dragão há de tudo menos virgens...) querem que Jesus seja punido de igual modo a Hulk e Sapunaru. Mas esqueceram-se de referir qual punição: a primeira ou a atenuada? É que, para mim, o Luiz Alberto também não é um interveniente no jogo. Ele parecia um tractor a derrubar tudo o que era jogador do Benfica durante o jogo. E que se saiba, um tractor não é considerado interveniente no jogo. Ouvir o Pinto da Costa dizer que do Benfica só queria o Elmano Santos faz-me deixar de acreditar que podemos recuperar terreno em relação ao Porto. Dado o passado deste senhor, com a sua apetência para receber árbitros ajudando-os a pagar as dívidas do pai, é caso para pensar que o campeonato já era. Não nos podemos esquecer que Pinto da Costa disse exactamente a mesma coisa sobre João Moutinho quando ele jogava no Sporting. E agora já está no Porto. Elmano Santos também já deve estar contratado. Se fosse outra pessoa qualquer a dizer tal coisa, a frase seria de um humor bastante refinado. Sendo Pinto da Costa, tratou-se apenas de um mero descuido verbal sobre o secretismo de tal negócio. E depois de tanto falarem de João Ferreira, eis que o senhor do apito resolveu agraciar Villas-Boas com mais uma prenda. Não é estranho que um árbitro se dirija ao banco do Porto mesmo antes de começar o jogo para cumprimentar Villas-Boas, depois de este ter colocado em causa todo o seu carácter, qualidade e profissionalismo? Bem, parece que agora é normal. Se fosse ao Jesus, o árbitro já estava comprado. Como foi ao Villas-Boas, tratou-se apenas de um cumprimento cordial e um gesto bonito. E para quem tanto fala em túneis e penalties da época passada, aqui ficam uns meros dados estatísticos. Na época passada, o Benfica teve sete penalties a favor e o Porto teve cinco. Sendo que apenas um desses sete penalties serviu para o Benfica ganhar o jogo, que foi em Leiria. Bom, esta época o Porto tem seis penalties e o Benfica também... Afinal, parece que não. O Benfica só tem dois penalties. Curiosamente, na tabela dos penalties, em segundo lugar aparece o Leiria com cinco, o tal outro clube que também perdeu pontos por tentativa de corrupção. Coincidências. Ora bem, os dois penalties a favor do Benfica não tiveram influência na atribuição dos pontos. Já o Porto, em seis penalties, três serviram para ganhar o jogo por 1-0. A super-equipa de Villas-Boas que assenta nos poderes sobrenaturais de Hulk bem se pode queixar da falta de empurrões. Em caso de dúvida, não há dúvida. Marca-se e depois vê-se se tinham ou não fundamento para marcar penalti. Se acertarem, óptimo. Se não acertarem, a viagem ao Brasil ninguém lhes tira. Alguém falou em fruta? Nem se admite tal coisa. No ano passado, o Benfica foi levado ao colo. Este ano, o Porto é levado ao empurrão. E toda a gente sabe que ao empurrão se chega bem mais depressa do que a ser levado ao colo. Palmadinhas? Sim. Mas só na "frutinha"...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Portáteis, saca-rolhas e modas...

Horrível, monstruoso e tenebroso. Este recente crime que gerou a indignação e a revolta da sociedade portuguesa promete dar ainda muito que falar. Psicólogos e psiquiatras terão neste crime muita matéria onde explanarem as suas mirabolantes teorias. E é preciso ter muita imaginação para se conseguir explicar aquele horrível acto. Certamente que nos próximos dias teremos montes de notícias em jornais onde se falará sobre o porquê de o ser humano ser capaz de elaborar e praticar um crime tão horrendo. Eu próprio tenho a minha teoria. O mundo da fama não dá saúde mental. A fama cria loucos e insensatos e é fonte de perdição para quem quer subir na vida a qualquer custo. Só isso poderá explicar o facto de alguém ter chegado ao ponto de cometer esse crime horripilante: chamar Lyonce Viiktórya a uma filha. Luciana Abreu e Yannick Djaló mostraram ao mundo a sua faceta mais pérfida e obscura, pois com o simples baptismo eles afastarão a criança de qualquer caminho de sucesso no futuro. O que fizeram à filha não se faz a ninguém. Podemos não gostar dos filhos; podemos até abandoná-los em qualquer sítio. Mas chamar-lhe Lyonce é desumano. Quando questionada sobre a escolha de tão famigerado nome, Luciana Abreu limitou-se a responder que Lyonce é uma fusão de Luciana e Yannick. Ou eu sou muito parvo (e admito que o seja) ou esse nome tem tanto de fusão de Luciana e Yannick como o meu tem. Pensando bem, acho que até o meu próprio nome tem mais a ver com essa suposta fusão que Lyonce. Se fosse Beyonce até entendia e aprovaria com gosto. Mas Lyonce... Coitada da rapariga. Tem um nome que mais parece resultar da fusão de leão com onça. O que até faria sentido já que o pai joga no Sporting cujo símbolo é o leão e a mãe, segundo dizem, tem um feitio muito peculiar, bem ao género dessa fera de nome onça. E se o primeiro nome já era horrível, então o segundo bate recordes na tabela dos desequilíbrios mentais. Viiktórya. Temos dois "i", um "k" e um "y". Aprender a ler e escrever daria uma grande ajuda a estes pais na escolha de nomes. Há crimes que deveriam ser punidos com prisão perpétua. E um desses deveria ser o mau gosto. Ainda para mais quando se estraga o futuro de uma criança. Contudo, nesta história nem tudo é mau. Sabermos destas histórias leva-nos a dar ainda mais valor aos nossos pais e ao seu exímio bom gosto relativamente a nomes. Imaginem que os nossos pais tinham aderido a esta brincadeira da fusão de nomes. Já me estou a imaginar a ser tratado por Mariuel, fusão de Maria com Manuel. Muito pior do que brincadeiras com saca-rolhas. Se deixam esse nome ser aprovado no registo civil, então estaremos mesmo entregues à bicharada.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

E tudo o banco levou...

2011 começa com campanhas. Ou melhor, deveria começar com campanhas. Contudo, aquilo a que temos assistido nos últimos dias é mais digno de um espectáculo circense do que propriamente com campanhas eleitorais. Na luta pela cadeira do poder, a palavra mais utilizada é "banco". Denota-se, desde logo, um claro retrocesso ao nível do mobiliário político. Há candidatos que são acusados de pertencerem ao gang do BPN; outros são acusados de pertencerem ao gang do BPP; e há ainda outros que são acusados de extremismo político. Dá a sensação de que no dia 23 não iremos eleger o próximo Presidente da República; parece, isso sim, é que vamos dar poderes ao próximo Vito Corleone de Portugal. Não irá ganhar, com certeza, o mais inocente nestas histórias todas mas antes ganhará o menos culpado. Se não é o candidato madeirense a trazer algum humor a esta campanha, este país ficaria ainda mais monótono. Simpatizo com o homem e até acho que deveria ganhar já que tem um argumento muito forte a seu favor: não esconde que é palhaço, ao contrário dos outros candidatos que tentam parecer sérios. Nenhum dos candidatos merece ganhar e a única pessoa que poderia tomar conta do país não se quis candidatar: o director do jardim zoológico de Lisboa. De todas as pessoas deste país, acho que é a única com capacidade e experiência para liderar esta bicharada toda que anda por aí. Se o país está entregue à bicharada, porque continuamos a ostracizar as únicas pessoas competentes? Deixemos os "tachos" para os cozinheiros e não os entreguemos a economistas ou poetas. Não conheço um economista ou um poeta que saiba cozinhar bem. Os primeiros, porque cortam demasiado nos ingredientes e nas quantidades; os segundos, porque enquanto declamam um poema, deixam queimar o refugado.
E agora falemos de quem merece. Mourinho ganhou o prémio de melhor treinador do mundo de 2010. Nada mais justo. Ainda para mais ganhando a dois espanhóis. Arrogante, provocador, polémico. Mas o melhor. Temos o melhor treinador do mundo, um dos melhores jogadores do mundo e o melhor empresário de jogadores do mundo. Por que raio continuamos a sentir-nos pequenos?
Para terminar faço uma pergunta: onde é que o Mourinho costuma estar durante os jogos? Pois é, no banco. Como vemos, todas as notícias explosivas deste novo ano andam sempre relacionadas com "bancos". Não há maneira de eles nos largarem.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sai 2010... Entra 2011...

Mais um ano que termina. E 2010 até foi um ano recheado de acontecimentos importantes para o Mundo e que marcaram definitivamente a evolução do ser humano. Vejamos os factos mais marcantes de 2010 que mudaram o planeta (ou poderiam ter mudado, caso não fossem... parvos):
Janeiro: A rede internacional Holiday Inn resolveu oferecer um serviço no qual os funcionários dos hotéis aquecem a cama aos hóspedes. Os funcionários vestiam um pijama de lã e deitavam-se na cama, aquecendo o leito de forma lenta e carinhosa. A crise obriga a cortes no aquecimento por ar condicionado optando-se pelo calor humano.
Fevereiro: No Brasil, uma actriz porno fez sexo com 700 homens em apenas 48 horas e promete chegar aos 2000. E é bem capaz de atingir essa marca antes de Sócrates atingir os famosos 150 mil postos de trabalho.
Março: Um bebé chinês nasce com cauda. Uma marca da nova geração que foi "elaborada" a ver episódios do Son Goku. É o que dá comer carne de cão. E se não saiu a ladrar já foi uma sorte.
Abril: Indonésios que aumentem o pénis são impedidos de servir o Exército ou a Polícia. Justificação: com o implante, os indonésios correm o risco de confundir "cacete" com "cassetete".
Maio: Nos E.U.A., um condutor apanhou uma multa de trânsito de 35 dólares enquanto a sua mulher dava à luz no banco traseiro do veículo. Tudo isto porque se esqueceu de colocar moedas no parquímetro. O que vale é que ainda existem polícias como antigamente.
Junho: Homem com o mesmo nome do guarda-redes inglês que deu um frango no Mundial pretende ser rebaptizado porque está farto das piadas de que era vítima. O homem chamava-se Robert Green, tal como o guarda-redes. Curiosamente, pouco depois verificava-se um fenómeno muito parecido em Portugal. Mais curioso ainda é relacionarmos os nomes dos intervenientes: Robert na Inglaterra e Roberto em Portugal. Será coincidência apenas?
Julho: Na Austrália, um polícia abriu uma garrafa de cerveja com o piercing genital e acabou despedido. Não se pode ajudar ninguém neste Mundo...
Agosto: Nos E.U.A., um bêbado foi detido após discutir com a sua bicicleta. É verdade. Tudo porque utilizou linguagem obscena para com a viatura. "Vou-te montar!". Conclusão: passou a noite na prisão.
Setembro: Novamente nos E.U.A., um homem que esperava por um "comboio fantasma" foi morto por um comboio verdadeiro. O homem estava no local onde reza a lenda que no dia 27 passa um "comboio fantasma" relativo a um antigo acidente ferroviário, mas o que é certo é que não foi bem um fantasma que lhe passou por cima.
Outubro: Na Indonésia, um menino de 2 anos parou de fumar. Ardi Rizal fumava 40 cigarros por dia, algo que deixa envergonhado qualquer fumador em Portugal.
Novembro: Na Itália, um autarca publicou um decreto que proíbe os moradores... de ficarem doentes. Se querem doenças, mudem de cidade.
Dezembro: Na Sérvia, o último censo admite que as pessoas se declarem ET's. Foi criada a opção "extraterrestre/alienígena" e quem optar por essa classificação não precisará de informar detalhes sobre a sua vida sexual, religião e etnia.
Por tudo isto, espero realmente que o 2011 traga luz a algumas criaturas pouco iluminadas. Um bom ANO NOVO para todos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eles mostram tudo...e não escondem nada...

A Assembleia da República acaba de aprovar uma lei que reduz a distância entre um espaço naturista e um aglomerado urbano, escola, colónia de férias, convento ou santuário de 1500 para 750 metros. Os naturistas, vulgo nudistas, estão cada vez mais perto. As pessoas que teimam em andar na praia com pelo menos uma peça de roupa, das quais eu faço parte, são acusadas de "fascismo corporal"; somos vistos como gente ultrapassada, gente do "campo" que se escandaliza com tudo o que seja diferente. Como também não acho que os naturistas sejam muito normais, os insultos acabam por se anular mutuamente. A verdade é que eles andam por aí com a franga à solta no Verão e cada vez mais próximos do nosso guarda-sol. Mas sejamos sinceros: seria agradável estar numa praia só com naturistas? Numa praia com as habitantes da Mansão da Playboy talvez fosse. Mas imaginem-se num ambiente naturista numa praia comum portuguesa, rodeados das pessoas "normais" que encontramos à beira-mar... Acho que essa visão não é muito agradável. Pais, filhos, avós... Tudo a conviver e a socializar ao natural. Os típicos jogos de bola à beira da água tornar-se-iam um pouco incómodos. Um bando de pessoas nuas a correr atrás de uma bola... Imaginem-se agora a pedir uma bola de berlim a alguém que as vende... completamente nu! Imaginem o tio Manel a entregar-vos a bola que pediram e vocês a verem certas partes do corpo dele que começaram a ceder à gravidade. Repito: a imagem não é nada agradável e pode chocar pessoas sensíveis. Não podemos esquecer que a questão da higiene pessoal é algo dispensável para certas pessoas. Com o naturismo também deixamos de reconhecer as pessoas pela cor do bikini ou dos calções, o que é uma chatice. Outra questão que me faz ser contra o naturismo é que torna os homens menos inteligentes. As peças de roupa que tapam o corpo da mulher aguçam a fértil imaginação masculina. Perdemos horas e horas a imaginar o que estará por detrás do tecido. E esse exercício de imaginação desenvolve o cérebro. Está comprovado cientificamente. Ora, se já estiver tudo à mostra, uma parte do cérebro ficará adormecida. E a partir de agora os naturistas andarão "colados" a nós. Temos de ter cuidado. Entrar, sem se dar conta, numa praia de naturistas deve ser traumatizante. Até porque deveremos ser olhados como petiscos, tal e qual são olhadas as mulheres que praticam o topless em praias "normais". É a eterna questão da qualidade da carne humana. Diz-se que o homem peca porque a carne é fraca. Eu sou da opinião contrária. Acho que, para o homem pecar, é porque a carne é muito boa...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Onde está o sal?

Depois de ver estes vídeos sobre diferentes formas de se fazer política, fiquei com a triste ideia de que em Portugal além de faltar açúcar nas prateleiras dos hipermercados, também nos falta muito sal na política...

Política na Ucrânia...


Política na Coreia do Sul...


Política na Bolívia...


Política em Taiwan...


E agora,a política em Portugal...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Segredos...

Dezembro é, por tradição religiosa, um mês de boas novas, de revelações importantes. Mas todas as revelações que têm surgido esta semana estão a quebrar a bela imagem que eu tinha do mês de Dezembro. A tão badalada conferência da NASA sobre vida extraterrestre foi espectacularmente parva. Quando já todo o Mundo estava à espera que a NASA anunciasse que os astronautas da Estação Espacial estavam a jantar com um ET, eis que a NASA resolve informar os terrestres que encontraram uma bactéria que vive em arsénio num lago dos Estados Unidos. Um facto que alterará os padrões de busca no Espaço. Tanto espalhafato com uma conferência, tanta divulgação pelo mundo inteiro para ficarmos a saber que a NASA anda a remexer em porcaria de lagos americanos e que o mais provável será encontrarmos algum ET numa lixeira espacial. Mas se esta revelação já por si só era bastante fraquinha, as outras que surgiram praticamente na mesma altura estarão ao mesmo nível. O site WikiLeaks, que tanto se tem esforçado nos últimos tempos para fazer concorrência à casa dos segredos, acaba por desvendar segredos ainda mais parvos do que informar o mundo que António teve um bar de alterne. A primeira revelação: a China perdeu a paciência com a Coreia do Norte. De facto, é um grande segredo. Neste momento, o mundo inteiro já perdeu a paciência com a Coreia do Norte pelas suas brincadeiras com mísseis. Mas foi necessário andarem a vasculhar em documentos top-secret do governo americano para descobrirem tal facto. Segunda revelação: o Kwait não quer de volta os terroristas presos em Guantánamo. E com toda a razão. Esta é a época em que quem tem de aparecer é o Pai Natal e não uns homens-bomba. As diferenças são pequenas entre ambos: é apenas a cor da barba e a constituição dos "pneus" da barriga. Mas ainda assim é preferível o Pai Natal. Terceira revelação: a Arábia Saudita propôs aos Estados Unidos implantar chips electrónicos nos presos de Guantánamo para os poderem seguir depois de serem libertados. O Rei Abdullah diz que "assim se faz com cavalos e os falcões". E quando há argumentos tão fortes, não há como recusar essa proposta. Cavalos, falcões e terroristas. Dava um bom título para um filme pornográfico. Quarta revelação: Karzai perdoa traficantes de droga. Segundo a embaixada americana, 150 dos 629 prisioneiros de Cabul foram libertados sem julgamento. As semelhanças entre a justiça iraquiana e a portuguesa são evidentes. Aqui em Portugal também não são julgados. E vão estar os iraquianos preocupados com traficantes de droga quando têm a maior taxa de terroristas por km2? Quinta revelação, a minha preferida: o Príncipe Charles é menos respeitado que a Rainha de Inglaterra. Qual o espanto? Até por uma questão de posto: a Rainha acima de Príncipe. Pode não parecer muito normal para os americanos que uma Rainha seja mais respeitada que um Príncipe mas essa é a dura realidade em que vivemos. E acho que até a Júlia Pinheiro sabia esta.
Estes segredos do WikiLeaks estão ao nível dos segredos dos pastorinhos. São segredos não muito secretos.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cinco chagas e três cruzes...

Dizem que a História não se repete. Uma treta. A única coisa que não se repete neste mundo é uma frase dita por um doente de Alzheimer, pois logo que a diz ele esquece-se dela e as probabilidades de a repetir são praticamente nulas. Dois mil anos depois, Jesus voltou ao local do crime e a história repetiu-se. Não aprendeu à primeira. Há duas semanas atrás, Jesus já se tinha perdido cinco vezes no templo do Papa Pinto da Costa mas não aprendeu nada com tal lição. No Dragão, o Messias teve uma pré-crucificação. Conseguiu arrancar os pregos mas já não foi a tempo de evitar cinco chagas no corpo, mais uma vez. Mas as semelhanças entre o Salvador e o que necessita ser Salvo não se ficam por aqui. Em Israel, viu-se um Jesus completamente resignado à sua sorte, tal e qual há dois mil anos atrás. Jesus conseguiu curar um enfermo que custou oito milhões de euros mas os seus apóstolos estão cada vez menos crentes. O apóstolo David Luiz já só pensa em lançar as suas redes noutros mares. Javi Garcia anda cansado e não há-de faltar muito para que São Pablo Aimar negue Jesus três vezes. Só falta mesmo um jogador do Benfica marcar um golo e ir ao banco dar um beijo na face a Jesus. Aí sim, Jesus estaria mais do que condenado. Como se não bastasse já tanta trapalhada, Jesus e os apóstolos acabam a tomar a última ceia no fim do jogo...no Mc Donald's. O que até é bom para Jesus já que lá dificilmente se juntarão treze pessoas numa mesa. O Pilatos Rui Costa já não fala, já não vem a público defender o treinador. Ou seja, Rui Costa "lava as suas mãos" em relação ao futuro de Jesus. Claro que a culpa não é apenas de Jesus. Todos os apóstolos têm culpa. Mas já se sabe que é mais fácil arranjar uma cruz do que ter de arranjar umas vinte e cinco. No fim do jogo com o Hapoel, Jesus iniciou irremediavelmente a sua via sacra. E até teve sorte. Na chegada a Lisboa, a primeira das estações, Jesus até se livrou dos maltratos. Mas as chicotadas são inevitáveis. A diferença entre as chicotadas de há dois mil anos e as do presente,é que as actuais são psicológicas. E tem ainda mais sorte de não lhe terem colocado já uma coroa de espinhos. Contudo, a crucificação do actual Jesus não se fará a troco de apenas trinta e três dinheiros. Custará bem mais do que isso ao Benfica. Fechou-se um ciclo. O Benfica já mudou de treinador em Agosto. Este não é o treinador que foi campeão. Não fala, não berra. Estranho. Deve andar com medo de perder a voz com tanta rouquidão que apresentava a época passada. Três com o Hapoel e cinco com o Porto em poucos dias... Já outros foram despedidos por muito menos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mofo ou bafio...

Hoje é dia de greve geral. E também é dia de manifestação geral de trabalhadores. A conjugação destes dois factos quase que paralisou o país. A sorte do Governo é que o país já se encontrava completamente paralisado. O Governo fala numa adesão de 20,1% na função pública e uma adesão muito reduzida no privado. Mas estes são os valores da adesão à greve geral. O Governo esqueceu-se de referir também qual a percentagem de adesão à manifestação geral de trabalhadores, curiosamente de igual modo marcada para o dia de hoje. E começo a achar que marcar uma greve e uma manifestação geral para o mesmo dia não pode ser obra do acaso ou da mais pura coincidência. Há algo de maquiavélico por detrás de tudo isto. Os sindicatos são terríveis. Além de confundirem o Governo com uma greve e manifestação geral no mesmo dia, acabam por confundir também os próprios trabalhadores. Muitas pessoas devem ter ficado na dúvida sobre se participariam numa ou noutra. Há relatos de pessoas que sairam de casa a caminho da greve e acabaram com bandeiras e altifalantes bem na frente da manifestação. O povo português é mesmo assim. Até as greves têm de ser complicadas. 20,1% em greve geral. Outros tantos devem ter estado na manifestação geral, segundo os dados do Governo. Ou seja, os restantes 45% da função pública devem ter ficado em casa com baixa médica. Quase metade dos trabalhadores do Estado contrairam uma doença misteriosa que os fez ficar em casa no mesmo dia. Basta uns dias de frio e acontece logo isto. Numa altura em que tanto se fala da pouca produtividade da função pública nacional, nada melhor que apresentarem ao país e ao mundo uma bela greve geral acompanhada de uma manifestação também geral e mal passada. Tudo bem que joga o Benfica para a Liga dos Campeões e o jogo é muito importante. Mas o jogo é ao final do dia! Não precisam de desculpas para faltar ao trabalho só para ver o jogo. Sempre desconfiei que a cor vermelha sempre presente nas manifestações não tivesse que ver directamente com o Comunismo. Há comboios apedrejados, pessoas atropeladas... Será isto uma greve ou uma manifestação? Nem uma nem outra. É uma espécie de feriado.

domingo, 21 de novembro de 2010

Virilidades verbais...

Queixam-se os portugueses da lentidão da Justiça. Bom, através da divulgação de certas sentenças que os jornais nos vão dando a conhecer, eu fico é com a ideia de que temos tantos processos parvos em tribunal que a Justiça em Portugal pode até ser bem mais rápida do que aquilo que se pensa. Estanto os juízes ocupados com determinadas acções completamente inúteis, é óbvio que os restantes processos acabarão por se acumular. Vejamos o caso do cabo da GNR que, após ter visto recusado o seu pedido de troca de turno por parte do seu comandante, resolveu dizer-lhe frontalmente: "Não dá para trocar, então pró caralho!". Uma coisa muito simples, portanto. E andavam os juízes da Relação a debater se esta palavra "caralho" originaria um crime de insubordinação. Com tantos processos sérios neste país e andam aqueles caralhos a perder tempo com a palavra "caralho". Em primeiro lugar, este processo só poderia ter mesmo lugar na Relação de Lisboa, já que toda a gente sabe que "caralho" no Porto é vírgula. Em segundo lugar, ficamos a saber que a Polícia Judiciária Militar não tem nada mais interessante com que se preocupar do que com um cabo que diz "caralho" numa espécie de discussão com o seu superior. Andam os portugueses a pagar horas de trabalho aos inspectores que estão preocupados com tal palavra. Se fosse a Santa Sé a nomear um diácono detective até se perceberia. É feio dizer pecados, é o que aprendemos em criança. Castigar quem proferir tal palavra com umas Avé Marias faria algum sentido. Mas daí a abrirem um processo contra quem a profere ainda vai uma grande distância. O juíz relator realçou que dizer para alguém "vai pró caralho" é bem diferente de dizer "ai o caralho" ou simplesmente "caralho". "Caralho" será ou não um insulto? Aqui está uma questão do caralho. Segundo o tribunal, trata-se de mera virilidade verbal. Por isso, quando estiver num tribunal e achar que o processo está a demorar demasiado tempo, qualquer português poderá levantar-se e peguntar ao caralho do juíz: "Porque caralho é que isto está a demorar tanto?" E ele apenas nos poderá acusar de sermos verbalmente viris. Os juízes deram-se ainda ao trabalho de procurar a origem da palavra "caralho" para fundamentarem a sua decisão. E ficamos a saber que "caralho" terá a sua origem no latim "caraculu". Ou seja, isto é tudo muito ordinário mas a culpa é dos romanos, esses caralhos que se diziam tão cultos. Há coisas do caralho. E este post é escrito sem censura pois esta palavra aqui repetida por diversas vezes não serve para insultar ninguém mas para mostrar a minha insatisfação ou o meu espanto, tal como referem os juízes. E estou espantado p'ra caralho com esta história toda. Uns caralhos duns juízes sem caralho algum para fazer, decidem deliberar quando é que podemos dizer ou não "caralho", perdendo tempo p'ra caralho e ganhando uns salários do caralho. Que caralho.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Olhos em bico...

O texto seguinte irá ser escrito com base no novo acordo ortográfico estabelecido entre o Primeiro-Ministro de Portugal e o Presidente da República Popular da China (que de república não tem nada e de popular tem muito pouco).
"Já se sabia que em momentos de apelto as pessoas tendem a tolnal-se completamente maquiavélicas, não olhando a meios pala atingilem detelminados fins a que se plopuselam. Daí que o númelo de climes aumente na plopolção dilecta do aglavamento de clises sócio-economicas. Só este desespelo pode justifical a plesença consecutiva de climinosos em Poltugal. Plimeilo, apalecelam uns alegados memblos da ETA. Depois, lecebido de blaços abeltos e com plomessas de amizade etelna, chegou Hugo Chávez. Agola, pala completal o quadlo, hospedamos no nosso país Hu Jintao. O Plesidente da Lepública Populal da China quel ajudal Poltugal a salval-se desta enolme clise económica. Não é talefa fácil mas se há povo que o conseguilá selá, sem sombla de dúvida, o povo chinês. Os jolnalistas poltugueses bem tentalam ajudal o Plimeilo-Ministlo e lançalam o boato de que Hu Jintao estalia disponível pala complal a dívida extelna poltuguesa. Obviamente que Hu Jintao não é tão ingénuo quanto Hugo Chávez e saiu de Poltugal sem se complometel com nada. Falou pouco e do pouco que disse ainda menos se aploveitava. Contudo, os plesidentes dos maioles bancos nacionais bem como os plesidentes da EDP e da PT lá conseguilam uns acoldos pala lecebelem "dinheilo amalelo". Em contlapaltida só temos de vendel o país. Muita gente leclama de que nos estamos a "plostituil" a uma nação que não sabe o que são os Dileitos Humanos. Tenho pala mim que os Dileitos Humanos na China estão na mesma situação que o Dileito do Ambiente está em Poltugal. É algo de que se fala em suldina, que se diz que existe e que selvilá pala salval o Mundo, mas os intelesses económicos soblepõem-se semple a tais matélias. Selá que intelessa mesmo à maiol palte dos poltugueses sabel que o dinheilo que nos ajudalá plovem de uma ditadula? A mim, pelo menos, não intelessa. Nós temos é de sail do bulaco. E quando estivelmos a salvo então sim, podelemos voltal a almal-nos em glandes defensoles dos Dileitos Humanos e refelil novamente que fomos dos plimeilos países a abolil a pena de molte e a esclavatula. Mas até esse momento chegal temos de lecebel ainda mais chineses e comel muito alloz. Os que não gostam que aplendam a gostal. E deplessa. Glande palte das acções da EDP e da PT selão compladas pol investidoles chineses. Tudo bem. Neste momento, já todos os poltugueses ficam de olhos em bico quando lecebem as factulas da electlicidade e do telefone. Já não se notalá difelença. E o Jelónimo de Sousa sentilá na pele os efeitos leias do Comunismo e velá que afinal não é assim um legime tão bom. Já tinhamos vendido Macau à China. Agola, é só vendel mais um bocado do tellitólio."

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vivem para servir...

Limpar o pó ou fazer a cama são tarefas que apesar de parecerem simples acarretam uma enorme carga de trabalhos. O acto de fazer a cama parece até um castigo dos deuses, semelhante ao de Sísifo. O pobre Sísifo estava condenado a transportar um rochedo às costas até ao cimo da colina e, quando lá chegava, deixava escorregar o rochedo que voltava para o ínicio da viagem. E lá voltava a carregá-lo e a deixá-lo escorregar. Isto assim sucessivamente, "ad eternum". Ora, nós podemos considerar-nos bem mais inteligentes que Sísifo mas a verdade é que acordamos, fazemos a cama e ao fim do dia voltamos a desfazer a cama. E no dia seguinte repete-se o processo. Quando Adão e Eva provaram o fruto proibido e foram punidos por Deus, penalizaram a Humanidade com o pior dos castigos que o "Barbinhas" alguma vez se poderia ter lembrado: fazer a cama diariamente. Deus, além de vingativo, é extremamente cruél nos castigos que aplica. Daí que a expressão "fazer a cama" a alguém só possa significar prejuízo para outrem. E foi a pensar em árduas tarefas como fazer a cama que um grupo de estudantes universitárias da República Checa resolveu criar uma empresa chamada Crazy Cleaners. Para além de um nome extremamente sugestivo, esta empresa caracteriza-se por facultar serviços de limpeza muito agradáveis com funcionárias despidas. Por 150€/hora, qualquer pessoa pode ter em casa uma jovem universitária fazendo limpezas em tudo o que seja preciso... E podemos escolher três modalidades: lingerie, topless ou nu frontal. Fantástico. O serviço de limpezas pode até nem ser muito eficiente mas tornará sempre as limpezas em algo muito menos penoso. Muito homem deixará de tomar banho para beneficiar dos serviços dessas "moças". Eu próprio já não tomo banho à uns dias. Parafraseando Katka Kopecka, "ninguém gosta de limpar e toda a gente gosta de apreciar um belo corpo". Esta mulher lê os pensamentos. E à distância. Mas como em tudo na vida, também esta empresa tem os seus perigos. Ou se especifica muito claramente no pedido de limpeza de que se pretende uma funcionária ou corre-se o sério risco de se receber em casa um loiro de dois metros em fio dental. A imagem não será propriamente muito agradável. Numa época de crise, para quando uma filial em Portugal?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vamos fazer amigos...

"Mi amigo José Sócrates..." A frase só poderia ser dita por alguém que mora do outro lado do Atlântico e que faz da censura à oposição a sua principal arma política. A prova de que Hugo Chávez é mesmo um mau político e um péssimo gestor de recursos económicos do seu país foi revelada com a visita a Portugal. Só alguém parvo e sem cultura económica é capaz de vir até cá e investir qualquer coisa como 1100 milhões de euros sem ser nos casinos. Aliás, se esse dinheiro fosse gasto em casinos a probabilidade de a Venezuela receber alguma contrapartida seria bem maior do que com a compra de "Magallanes". Mas se, por um lado, Chávez não percebe nada de Economia, a verdade é que o líder venezuelano se encontra perfeitamente enquadrado com a realidade automobilística do país. Tanto assim é que a primeira coisa que Chávez fez quando saiu do avião foi mandar sair o motorista da carrinha que o transportaria até Viana do Castelo e conduziu ele próprio. As notícias dos acidentes nas estradas portuguesas e os hábitos de condução dos lusitanos chegam já até à Venezuela, está visto. Contudo, há algo de que ninguém poderá acusar Chávez, que é o facto de não ser um bom e fiél amigo. Costuma dizer o povo que é nas alturas de necessidade e aperto que se vêem os verdadeiros amigos. E estes trocos venezuelanos chegam em óptima altura para Sócrates. Chávez disponibilizou-se a "dar as duas mãos" a Portugal. O problema é que as suas duas mãos irão custar-nos os olhos da cara. E esta permuta anatómica deixará o país ainda mais na ruína, a menos que passemos a acreditar que a Venezuela anda a meter aqui dinheiro a fundo perdido. Perdidos estamos nós. Engraçada esta expressão de "custar os olhos da cara". Era necessário referir que os olhos são da cara? Que outros olhos terão os seres humanos? Ai, ai... Este povo é tão ordinário... Dada a actual situação sócio-económica do país, se calhar até nem iremos pagar com os olhos da cara...
Em vez de andar a negociar directamente com o PSD o Orçamento de Estado, José Sócrates anda por aí em passeios românticos e a tomar chã com Hugo Chávez. Lá diz o povo:"uma mão lava a outra... e as duas juntas lavam a roupa". O que me custa mais é ver Sócrates numa tentativa disparatada de falar castelhano. Bem sei que o castelhano é das línguas mais utilizadas em filmes pornográficos e que esses filmes para adultos reflectem em grande parte aquilo que o Primeiro-Ministro nos anda a fazer. Mas mesmo assim era escusado. Falar em português é das poucas coisas em que ainda não se cobra imposto. Até ao dia...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sondas e Orçamentos...

No Chile, conseguiram tirar literalmente 33 mineiros do buraco dois meses depois de ficarem soterrados. Do outro lado do Atlântico, num país chamado Portugal, efectua-se hoje mais uma tentativa de tirarem 10 milhões de pessoas de um buraco onde já se encontram há vários anos. Torna-se mais difícil o salvamento em Portugal porque, para além de serem obviamente muito mais pessoas a necessitarem de ajuda, não temos uma sonda Fenix concepcionada pela NASA. Em vez da sonda, temos um Orçamento de Estado concepcionado por Sócrates. Lá no Chile, o meio de salvamento foi pensado pelos melhores engenheiros da maior agência mundial; em Portugal, o meio de salvamento foi pensado por alguém que nem sequer terminou o curso de Engenharia. Por isso, se algum dia nos perguntarem qual a diferença entre a sonda Fenix e o Orçamento de Estado será fácil adivinhar a resposta: a diferença é que a sonda é obra de verdadeiros engenheiros.
Os mineiros chilenos tiveram de ser submetidos a uma dieta de líquidos para aguentarem a dureza da travessia. Cá em Portugal, os portugueses estão a ser submetidos a uma dieta nos rendimentos líquidos, de forma a conseguirmos passar no buraco.
A sonda Fenix paralisou não só o Chile como o resto do Mundo, deixando as pessoas presas ao ecrã, muito emocionadas. O Orçamento de Estado irá produzir quase o mesmo efeito: paralisará um país, já que as greves estão marcadas, e deixa as autoridades da União Europeia e do FMI de lágrima no canto do olho de tanto se rirem das nossas asneiras.
Enquanto estavam presos na mina, havia instrucções para que só dessem boas notícias aos mineiros, de modo a evitar depressões e mantê-los animados e esperançados. Em Portugal, quanto mais afundados estamos, piores são as notícias que nos dão. A psicologia também não é o forte de Sócrates.
Por tudo isto é que os chilenos conseguiram sair do buraco enquanto que por cá as previsões não são assim tão optimistas.
Mas olhando para o que se passou no Chile, será que algum português gostaria mesmo de sair do buraco? É que não nos podemos esquecer que as primeiras pessoas que iríamos ver e que nos tentariam abraçar seriam o Sócrates e o Cavaco Silva. Valeria a pena sair de um buraco para receber tal punição? No mínimo, será discutível.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Vinicultura não deixa de ser cultura...

Uma semana depois de ter anunciado um conjunto de medidas que nos tornará no povo mais pobre e triste da União Europeia em simultâneo com um jogo do Benfica, José Sócrates volta a surpreender todos os politólogos. Este homem é das pessoas mais surpreendentes e imprevisíveis a nível mundial. Questionado sobre as previsões do FMI de uma futura recessão em Portugal, o nosso Primeiro-Ministro resolveu ignorar esse tema e tratou de realçar o papel económico do vinho. Desta vez tenho de admitir que o Sócrates deu uma goleada ao FMI. Digamos que prever uma recessão económica para Portugal não é nada de extraordinário nem de elevado grau de dificuldade. Nem era preciso ler nas entranhas de um animal. Qualquer bola de cristal comprada nos chineses revelaria essa situação. Curiosamente, a reputação do FMI varia muito perigosamente consoante as previsões: quando são más, o nosso Primeiro-Ministro ignora-as; quando são boas, Sócrates não poupa elogios ao trabalho do seu Governo e às rigorosas previsões do FMI. Compreendo. Eu também gosto mais de elogios que de críticas acentuadas. Mas eu não sou Primeiro-Ministro. Mas realçar o papel do vinho na economia é um verdadeiro golpe de génio capaz de "abafar" as previsões do FMI. Os portugueses sempre suspeitaram das capacidades "milagreiras" do vinho para a economia e é por isso que desde sempre nutriram um especial carinho por tal bebida. Já Jesus Cristo atribuíra especial importância ao vinho ao equivaler o seu sangue ao vinho e não à água, por exemplo. E com razão. Pão e água fazem inchar bastante o estômago, enquanto que o vinho até faz aquecer os pés. Voltando à questão, Sócrates defende que o vinho pode ser importante para uma recuperação da economia e realça o bom trabalho das produções vinícolas. A crise nunca assolará completamente o país enquanto houver vinho que nos proteja. É fácil de ver porque é que o vinho interfere na economia: todos aqueles que bebem vinho sem moderação ficam soltos de quaisquer complexos financeiros e desatam a investir, nomeadamente em mais vinho. E o que este país precisa é de investimento. Troque-se o Hemiciclo por uma qualquer plantação vinícola do Douro; troquem-se os impostos por pipas e tonéis. O país pode não ficar melhor mas ao menos deixará de se preocupar com a crise. O cheiro a vinho deixaria de ser um indicativo de saloios e passaria a ser sinal de riqueza e prosperidade. Entreguemo-nos ao vinho de corpo e alma e felicidade não nos faltará. Nem cirroses. Os abstémios serão acusados de acentuarem a crise. E os alcoólicos anónimos serão considerados um grupo hostil face aos princípios fundamentais do Estado de Direito. E assim lá vamos nós, de copo em copo, com um enólogo à frente do destino do país.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Arca de Noé aportou em Lisboa...

Chama-se Gliese 581 G e é o mais recente planeta potencialmente habitável descoberto por cientistas americanos. Não podia vir em melhor altura esta notícia. Este planeta é a solução para a difícil situação dos portugueses. Esqueçam lá os PEC's, as ajudas do FMI ou a fé inabalável de Sócrates e companhia. O futuro dos portugueses passa pela emigração interplanetária. Este planeta já se tornou demasiado pequeno para podermos escapar às garras maquiavélicas deste ministro das Finanças que adora meter a mão em bolso alheio. Se o Teixeira dos Santos andasse vestido com uns jeans e uma t-shirt, certamente seria apelidado de carteirista. Mas como anda de fato e gravata é tratado por ministro das Finanças. Fujamos para o Gliese 581 G. Fica a apenas 113 trilhões de milhas. De TGV chega-se perfeitamente lá em 2 horas. Os cientistas afirmam que se trata de um bom planeta para a expansão de formas de vida inteligente, ou seja, podemos andar seguros por lá porque nenhum membro deste Governo se ambientaria em tais condições. A incompetência é como a paciência: tem limites. Resta-nos pegar nas barcarolas da nossa frota pesqueira (que por incompetência do Governo ainda é do tempo dos Descobrimentos) e partamos à busca de novos territórios onde possamos nós controlar tribos indígenas em vez de continuarmos a ser governados por eles aqui em Portugal. Neste momento, tenho a certeza de que até para o Planeta dos Macacos os portugueses iriam porque lá o IVA é de apenas 17% e não há notícia de que os macacos das classes média e baixa paguem as potentes carroças de madeira dos macacos gestores públicos. Temos de seguir o exemplo dos macacos e desatar a catar os parasitas que nos sugam até ao tutano. Começo até a achar que o TGV e novo aeroporto são bons projectos já que tudo o que nos permita sair rapidamente de Portugal será muito útil num futuro lamentavelmente muito próximo. Deixemos o país entregue à bicharada. Mais ainda...
Este país não é para velhos... E infelizmente também não é para novos e mesmo as pessoas de meia idade sentem enormes dificuldades para sobreviverem. Este país é para cabrões. Vamos para o Gliese 581 G. A má notícia para os portugueses é que parece que nesse planeta não há bacalhau.
E pensar que já fomos donos de meio mundo...

sábado, 18 de setembro de 2010

O próximo seleccionador...

Carlos Queiroz, esse pobre mártir do Desporto, lá acabou por ser despedido. Uma triste notícia para os próximos adversários de Portugal. Nesta história rocambolesca do seu despedimento é preciso salientar uma coisa muito importante: o problema de Queiroz não foi ter sido mal-educado com o Luís Horta; o verdadeiro problema de Queiroz foi não ter insultado alguém mais cedo. Os portugueses sempre viram em Queiroz um homem educado, sério, incapaz de levantar a voz fosse para quem fosse. Ora, desde que voltou à Selecção, Queiroz começou a chamar burros aos jornalistas, andou à pancada no aeroporto com um comentador e acabou a falar de uma determinada parte do corpo da mãe do médico Luís Horta que estaria a precisar de ser examinada, segundo o professor. Queiroz deveria ter demonstrado desde o início da sua carreira de que também é capaz de dizer umas ordinarices e bater em quem quer que fosse. Uma mudança tão radical de comportamentos chocou os portugueses. Deveria ter feito como o Scolari. Esse, mal chegou, fez questão de mostrar o quão rude era. E ainda hoje alguns suspiram por ele. Mas ver um professor a falar de con** com tanto à-vontade, demonstra que afinal eles não precisam assim de tantas formações para darem educação sexual nas escolas. Com o despedimento de Queiroz, a Federação Portuguesa de Futebol deixou-se influenciar pelos programas da moda e resolveu criar um programa próprio para encontrar o novo seleccionador de Portugal, um programa que é uma mistura dos “Ídolos” com o “America’s Next Top Model”. O referido programa designar-se-á “Portugal’s Next Top Coach” e os candidatos serão avaliados de acordo com as suas excentricidades e não pela capacidade de treinar, já que esse nunca foi o critério utilizado por Madaíl. De acordo com as revistas cor-de-rosa, os candidatos são (por ordem alfabética):

Carlos Carvalhal: O estudioso do futebol viu a sua candidatura a seleccionador ser reforçada desde que se transformou em comentador de futebol na RTP, e passou a beneficiar dos ensinamentos desse “monstro” do futebol chamado Luís Freitas Lobo. E chamo-lhe monstro porque da maneira como ele fala de futebol, até parece que este desporto é um bicho de sete cabeças. Carvalhal também só fala em linhas, em blocos e em basculações, linguagem que será mais apropriada a Engenharia Civil do que ao Futebol, sendo certo que a maior parte dos jogadores da Selecção não o conseguiriam entender. Já os do Marítimo e do Sporting não tinham conseguido. Tem a seu favor uma fraquíssima passagem pelo Sporting, precisamente o mesmo critério que levou à escolha de Queiroz. Sendo um homem do Minho, domina perfeitamente o Malhão e a breve passagem pela Grécia tornou-o habilitado no famoso e exigente “Hassápico”.

Diego Maradona: Aquele que dizem ser o melhor jogador de sempre, limitou-se a ser um boneco vivo no banco da Argentina durante o Mundial, notando-se que percebe tanto de tácticas como o Sócrates. Não levou os jogadores em melhor forma ao Mundial, uma característica bastante apreciada por Madaíl. Adora distribuir beijos pelos seus jogadores, o que causará um choque tremendo em Portugal, pois nunca nos passou pela cabeça sequer a imagem do Queiroz a dar um beijo na cara ao Ronaldo. Além disso, tem a seu favor o facto de perceber mais de drogas que o próprio Luís Horta. Os controlos anti-doping deixariam de dar problemas pois o seleccionador saberia como contorná-los. Além de dominar o Tango, as passagens por Espanha e Itália fizeram de Maradona competente nas áreas da Sardana e da Tarantela.
Jaime Pacheco: Tem no seu currículo um campeonato nacional pelo Boavista, sendo um grande especialista na chamada táctica da “pancadaria de criar bicho”, muito semelhante ao 4-3-3. Filósofo e pensador do futebol, tem como expressões de marca alguns tesouros modernos, tais como “ faca de dois legumes” e “bodes respiratórios”. Consegue dizer mais palavrões por jogo que o próprio Bruno Alves, o que facilitará a tarefa ao Laurentino Dias caso as coisas não estejam a correr tal como ele pretenderia. Com tanto palavrão e com aquela personalidade encantadora, o secretário de Estado arranjará facilmente um caso extremamente sério e grave para abrir um processo disciplinar. Grande apreciador dos Pauliteiros de Mirandela, viu o seu currículo enriquecer com as passagens por Espanha e pela Arábia Saúdita, tornando-se um erudito em Zarzuela e em Ardha.
José Couceiro: Teria no seu currículo uma Taça de Portugal neste momento, se não tivesse sido guloso e trocado esse grande clube chamado Setúbal pelo Porto a meio da época 2004/2005. Teve mais olhos que barriga e acabou por não ganhar nada. Ou seja, em termos de currículo está ao nível da nossa Selecção. Já trabalhou para a Federação e, como tal, tem perfeito conhecimento da porcaria que por lá existe. Pode-se considerar um homem da casa. Um aspecto positivo a reter: na época 2005/2006, mesmo tendo o melhor marcador do campeonato, Couceiro conseguiu a proeza de descer o Belenenses de divisão, mas acabou por se salvar na secretaria. Ora, mesmo que não nos apuremos directamente para o Europeu, com Couceiro talvez ganhemos algum processo na secretaria. Pode haver algum “Mateus” na Dinamarca. Dança o Fandango desde os 3 anos. Com a passagem pela Lituânia, Couceiro aprendeu Suktinis e, mais tarde, na Turquia aprendeu Zeybek, que dança maravilhosamente em noites de lua cheia.
José Mourinho: “Il speciale” está na mira de Madaíl para vir treinar a Selecção em part-time no mês de Outubro. Também eu queria um part-time destes mas nunca encontrei nada parecido nos Classificados. Estamos a chegar ao cúmulo de mendigar ao mais recente D. Sebastião para aparecer por cá e nos salvar desta encruzilhada. Muito mal estamos nós quando a única solução que dizem que temos é chamar o Super Mourinho, o novo Jesus Cristo. Se Mourinho já era super arrogante, mesmo no que diz respeito ao país, agora é que ninguém o vai calar. Vai achar-se ainda mais “especial” porque vê que em alturas de crise o principal responsável pelo futebol português lhe vai bater à porta com a corda ao pescoço, pronto a beijar os pés ao “Speciale”. No fundo, Madaíl reencarna a figura de Egas Moniz, só que em vez de ir a Toledo vai a Madrid pedinchar. E assim do nevoeiro surge aquele que será o candidato mais forte. Mas o público será soberano e se os amigos de Mourinho não ligarem para votarem nele, o “especial” pode muito bem perder. Especialista no Corridinho, Mourinho aproveitou as passagens por Inglaterra, Itália e Espanha para se pós-graduar em dança Morris, Napolitana e em Paso Doble.
Luis Aragonés: Outro candidato de peso a seleccionador e que tem no currículo um Campeonato da Europa. Como Portugal só chegou a vice-campeão europeu, pode-se efectivamente comparar Aragonés aos muitos licenciados que se candidatam a empregos que exigem habilitações literárias muito abaixo das que eles possuem. Além disso, seria engraçado ter um seleccionador que nasceu antes da 2ª Guerra Mundial. O que seria muito conveniente para Aragonés, já que, como presenciou uma grande guerra mundial, já terá experiência suficiente para aguentar as grandes guerras que correm dentro da Federação Portuguesa de Futebol. Quando Aragonés começou a carreira de treinador ainda nenhum dos jogadores da nossa selecção era nascido. Estamos perante um verdadeiro dinossauro, grande “connaisseur” de Flamenco e de Gobek Dans, que aprendeu na Turquia.
Luiz Felipe Scolari: Tem no seu currículo um Campeonato do Mundo ao serviço do Brasil e um Campeonato da Europa que entregou de forma brilhante a um conjunto de jogadores gregos que tinham vindo a Portugal apenas para fazer turismo. Gosta de pugilismo, fazendo vibrar as plateias a cada soco aplicado ao adversário. Grande responsável pelas inúmeras bandeiras defeituosas de Portugal vendidas pelas lojas dos chinocas, conseguiu converter Madaíl à Senhora do Caravaggio, que não é nada mais que uma Senhora de Fátima com sotaque brasileiro. Herói para muitos portugueses devido à sua personalidade encantadora, Felipão tem como virtude ser dos poucos treinadores do Mundo capazes de desfazer em pouco tempo grandes equipas construídas pelo Mourinho: primeiro na Selecção e depois no Chelsea. Não é fácil. É visto com frequência a sambar, sendo um expert em dança do ventre, que aprendeu pelas passagens pelo Médio Oriente, e é dono de uma escola de Vira em Porto Alegre.
Manuel Cajuda: Tem um filho que participou nos Morangos com Açúcar, o que significa que não tem capacidade para lidar e formar as camadas mais jovens. Caso fosse seleccionador, o mais certo seria que os jovens mais promissores acabassem a contracenar na Lua Vermelha. O seu currículo não ocupa muito espaço na secretária de Madaíl já que não há muito para preencher, mas tem uma qualidade que o presidente muito aprecia: é um pedinchão de primeira. Passou muitos anos a tentar arranjar lugar no Benfica e agora tenta um lugar na Selecção. Cajuda e Madaíl fariam uma dupla terrível: um a pedinchar e outro a mendigar. Poderíamos não nos apurarmos para o Europeu, mas os cofres da Federação haveriam de ficar bem recheados. Tem o Corridinho no sangue, o que o leva a correr de um clube para outro muito rapidamente, servindo-se dos conhecimentos obtidos no Médio Oriente para aprender a Dança das Espadas, que muito jeito lhe dará caso seja o escolhido.
Manuel José: O “Faraó” já venceu mais Ligas dos Campeões que o Mourinho. Tudo bem que foi em África mas currículo é currículo. Tem um ódio de estimação por Pinto da Costa, o que o torna muito parecido com Scolari. Quando fala do futebol em Portugal, Manuel José costuma ser uma espécie de Rui Santos, só que mais crítico e sarcástico. Foi seleccionador de Angola, o que lhe conferiu capacidade e experiência para treinar selecções de países em vias de desenvolvimento, tal como Portugal. E como conseguiu colocar o Mantorras a jogar pela selecção, pode ser que faça o mesmo com o CR7 na selecção portuguesa. Passou muitos anos perto das Pirâmides do Egipto e pode em breve conviver de muito perto com outra pirâmide bastante deteriorada: a pirâmide da estrutura da Federação. Mas as pirâmides do Egipto parecem bem mais seguras e o cheiro a podre não é tão intenso. Dança a Cana Verde como um menino e sempre que insulta alguém vê o seu corpo ganhar vida própria e desata a dançar Zaar, que aprendeu no Egipto, para afastar os maus espíritos. Além disso, não perde uma oportunidade de passar na Amadora para matar saudades da Kizomba.
Octávio Machado: Deve ser das poucas pessoas no mundo que se pode gabar de ter sido treinador de futebol, agricultor e bombeiro. Se bem que Octávio Machado tinha mais tendências para incendiar do que para apagar fogos, como se pode observar pelas suas passagens por Sporting e Porto. Só mesmo esses dois clubes para o contratarem. Caso seja seleccionador, não haverá mais problemas com relvados em estados miseráveis e que lesionam jogadores, ou não fosse este treinador um homem da área. A escolha de Octávio Machado até pode fazer algum sentido: com tantos nabos na Selecção e na Federação, nada melhor que um agricultor para tomar conta deles. Contudo, Octávio seria um treinador em part-time, tal como Mourinho. A Selecção teria de dividir o seleccionador com as vindimas, com a apanha da maçã e com a plantação de couves. O primeiro homem a denunciar os “Big Ladens” que existem no futebol português, formou-se no curso técnico de pisar uvas e todos os fins-de-semana desloca-se a Setúbal para mostrar as suas aptidões no Verde-Gaio.
Paulo Bento: Veio de Espanha a falar com aquela musiquinha bastante ridícula que me faz lembrar o Paulo Futre. E como apregoa tanto a tranquilidade, tenho medo que adormeça de vez os jogadores da Selecção. Por outro lado, se Paulo Bento for o escolhido, teremos um seleccionador com um penteado fantástico, bastante moderno e que atrairá certamente muitos patrocinadores. Tem fama de “sargentão”, à boa maneira de Scolari, o que fará as delícias de Madaíl. Porém, a verdade é que, até hoje, Paulo Bento só treinou o Sporting. Se treinar um clube dessa dimensão já chega para se ser seleccionador, então o Pedro Caixinha também pode enviar o currículo para a Federação. Está habituado a ficar em 2º lugar, o que até dava jeito nesta fase de grupos. Dança agradavelmente bem a Chula e dizem que se tornou grande fã do Funaná.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

1, 2, 3, Diga lá outra vez...

O primeiro round do processo Casa Pia terminou e não houve knock out. A luta há-de continuar num palco perto de si. Todo este processo, que focou a atenção das principais cadeias informativas do mundo no nosso país, ficou marcado por determinados elementos-chave que nos deveriam fazer reflectir sobre o estado do país e, sobretudo, da sociedade. São sete os elementos-chave, precisamente o número de arguidos neste processo. Coincidências. São eles:
1- CASA PIA: Quando Pina Manique fundou esta instituição, ele teria como grande objectivo proporcionar e trazer um futuro melhor às crianças órfãs. Mas o destino é cruel e a única coisa que trouxe a esses jovens foi um andar novo. No fundo, a Casa Pia é uma espécie de Telepizza para pedófilos. Os produtos estariam expostos num site, com o respectivo número de telefone e identificação do produto, e para quem estivesse interessado bastaria ligar e proceder à encomenda. Mais ou menos isto:
"- TeleCasaPia, boa noite. Qual vai ser o seu pedido?
- Ora boa noite. Queria encomendar dois miúdos. Um com todos os ingredientes e outro mais moreninho, mais bem passado e sem borbulhas. Ah! E pão de alho também, já agora... Para a morada do costume."
E, tal como acontece na Telepizza, também nesta situação era um senhor de casaco vermelho que levava a encomenda a casa.
2- AS DENÚNCIAS: Uma das questões que mais inquieta as pessoas é o porquê de estas denúncias demorarem tantos anos a serem efectuadas e como foi possível que estas situações se tenham prolongado por tantos anos. A resposta até é simples: as denúncias iam sendo ignoradas porque o Manuel Abrantes era provador-adjunto da Casa Pia. Ora, os miúdos queixavam-se de abusos sexuais a alguém que abusava sexualmente deles. Era algo do género:
" Zezinho (nome fictício): - Ó sôr Abrantes, sôr Abrantes! Eu queria contar-lhe um segredo...
M. Abrantes: - Ai sim? Então fala lá depressa...
Zezinho: - Ó sôr Abrantes, sôr Abrantes, o sôr Carlos Cruz abusou sexualmente de mim.
M. Abrantes: - Vou já registar a queixa. Agora cala-te lá e continua a chupar."
E era por isso que as denúncias não chegavam ao Ministério Público.
3- O PAGAMENTO: Outra das coisas que o tribunal se esqueceu de referir era se estava ou não provado o pagamento efectuado aos miúdos em troca de favores sexuais. E esta questão também é muito importante. O país precisa de saber se estes jovens andaram a fugir ao Fisco durante todos estes anos. Receber dinheiro e não o declarar às Finanças é algo gravíssimo. Assim, se uns foram acusados com base nos artigos 171º e seguintes do Código Penal, também os miúdos deveriam ser acusados com base no artigo 103º do RGIT. Se eu tenho de declarar, por hipótese, os 20€ recebidos a apitar jogos de futebol, porque é que estes miúdos não são obrigados a declarar o que recebem a "abafar palhinhas"? Tem que haver igualdade fiscal.
4- AS INCONGRUÊNCIAS: Os arguidos têm falado nas possíveis incongruências dos testemunhos e em erros nas descrições dos locais onde decorreram, eventualmente, os abusos. Cá para mim, esses erros são entendíveis e desculpáveis. Digamos que a posição em que os miúdos se encontravam nos locais não deveria facilitar muito a capacidade de observar todos os pormenores que os rodeavam. E ter um "burro velho" a abusar deles tornaria tudo pior. Além disso, se praticar sexo anal passivo fosse bom para a memória, certamente que alguém já teria reconhecido nesse acto uma possível cura para o Alzheimer.
5- A CASA DE ELVAS: Outra coisa que me intrigava: mas porquê uma casa em Elvas e não noutra cidade do país? Porquê lá? Bom, temos de entender que a Casa de Elvas está para os pedófilos como o Ramalhete estava para o Carlos da Maia e para a Maria Eduarda: podia ser apenas uma simples casa mas preferiram torná-la num antro de pecado. E sempre dá um ar de romance a este processo. A Casa de Elvas... E porquê em Elvas? Já dizia a canção: "Ó Elvas, ó Elvas/ Badajoz à vista"! Os miúdos deslocavam-se a Elvas na falsa esperança de ver Badajoz por um canudo e ir aos caramelos. Mas quando lá chegavam, só viam o canudo... Mas também ganhavam caramelos.
6- O SALVAMENTO: Para ser um verdadeiro romance, este caso precisava de alguém que fosse salvo das garras do mal. Foi o que aconteceu a Paulo Pedroso. Enrolado profundamente neste processo, o deputado teve no PS a sua tábua de salvação, que lhe poupou, muito provavelmente, a sete magníficos anos de prisão. Esta situação só serve para mostrar que quem não está filiado num dos partidos do poder terá mais probabilidades de vir a ser condenado por algo que tenha ou não feito. Por isso, meus caros, inscrevam-se no PS, no PSD ou até mesmo no CDS. O cartão de militante será uma espécie de "Cartão de libertação da cadeia", à boa maneira do Monopólio.
7- AS CONDENAÇÕES: É difícil explicar à maior parte das pessoas o porquê de alguém que acaba de ser condenado a 18 anos de prisão continuar em liberdade, com um sorriso na cara e urinando numa qualquer casa de banho pública muito perto de algum de nós. Não há explicação possível para justificar o facto de alguém ser condenado a passar tantos anos na cadeia mas ainda assim sair do tribunal pela porta da frente. Se há indícios e provas tão fortes que se leve a condenar alguém com tantos anos de prisão, então o recurso não deveria ter nunca efeito suspensivo. Penas de prisão iguais ou superiores a 10 anos de prisão nunca deveriam ser suspensas por um recurso. Neste momento ainda é possível, o que traz um maior sentimento de desconfiança em relação à Justiça por parte das pessoas.
Esperemos que o próximo round não dure tanto tempo...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Imaginação fértil...

E em pleno processo de crucificação pública de Carlos Queiróz, eis que se volta a falar da Maddie. E, mais uma vez, não é por bons motivos nem por boas novas. A nova pista para a polícia sobre este caso foi revelada por um pedófilo, essa gente tão prestável, que às portas da morte resolve escrever uma carta ao seu filho dizendo que nada teve a ver com o desaparecimento da miúda. Até aqui nada de anormal. Estranho seria se ele tivesse confessado a participação no crime. O que realmente interessa em toda aquela carta escrita do fundo do coração é a acusação efectuada pelo pedófilo. Escreveu o próprio que a Maddie foi levada por um grupo de etnia cigana. Ou seja, momentos antes de partir para se encontrar com o Criador e provavelmente abusar dos muitos anjos que dizem existir por lá, esse senhor resolve acusar os ciganos. Na minha modesta opinião, além de parva esta acusação é, sobretudo, muito fácil. Desaparece alguém e quem haveremos de acusar? Os ciganos. Em miúdos, quando não queríamos comer a sopa, a quem é que as nossas mães se referiam que nos iriam levar para longe caso a sopa ficasse no prato? Aos ciganos. Ora, é muito fácil acusar os ciganos quando não há provas de nada e se pretende intimidar alguém. O que se retira de tudo isto é que a imprensa anda a dar atenção a pedófilos que dizem coisas parvas. Tão boas reportagens se poderiam fazer com pessoas interessantes e estes jornalistas dão visibilidade a um pedófilo que acusa ciganos. Uma acusação muito conveniente numa altura em que se fala muito de ciganos e da sua repatriação. Se a Amazónia fosse o centro de todas as conversas, talvez os acusados do rapto da Maddie fossem os índios indígenas brasileiros, esse safados que andam nus e brincam com setas. Sobretudo, porque estamos numa altura do ano em que aparecem muitos no Algarve. Se era para acusar alguém que seja o causador de receios infantis, sempre seria melhor acusar, entre outros, o Bicho Papão, o Monstro que existe debaixo da cama ou no armário, o Velho da noite, o Shrek, um grupo de palhaços, o ET, o Big Foot, o Abominável Homem das Neves, ou até mesmo o pior de todos: o Velho que vive no escuro.