
sexta-feira, 19 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
Proteo mutabilior...
A noção de Estado laico parece estar cada vez mais esquecida nas cabeças de alguns. Ou melhor, trata-se de um esquecimento útil. Há cada vez mais desemprego, a crise teima em continuar, o número de famílias com poucos recursos para subsistir aumenta, mas basta o Papa anunciar que vem a Portugal para alguns iluminados pedirem à Assembleia da República que decrete tolerância de ponto para que um maior número de pessoas possa escutar o Papa. Será que o Papa tem a solução para a crise? Se abrir os cofres do Vaticano até é capaz de ter. Mas não me parece que seja isso que ele cá vem fazer. As pessoas ligam cada vez menos à religião mas para ver o Papa já querem faltar ao trabalho. Há um certo interesse nesta definição de religião... Já não bastam todos aqueles feriados católicos que temos como ainda querem mais uma folga. E depois continuamos na cauda da Europa. Porque não somos como os gregos? Esses sim, tomam atitudes drásticas e invadem os Ministérios. Aqui é o contrário. O combate à crise e à corrupção faz-se através de intensas batalhas em partidas de cartas no café mais próximo. O frio que se faz sentir poderia levar-nos a uma maior actividade para aquecermos. Mas nem assim. Quando chegar o Verão ainda será pior. Vai tudo para a praia. Revolução sim... mas que a façam os outros. Vamos combater o défice com a total abstinência de trabalho. O Papa está a ser conivente com os nossos interesses. Será que quem professar outra religião também terá tolerância para faltar? Como se vai controlar quem é ou não católico? E quando os líderes de outras religiões visitarem o nosso país? Os seus seguidores também terão tolerância do Estado? Seria engraçado se tivessem. Iríamos ficar a saber que Portugal tem aproximadamente 10 milhões de hindus, mais 10 milhões de muçulmanos, de judeus, etc. Sempre que formos visitados por um líder religioso ninguém trabalha! Vamos fazer de Portugal o líder mundial da crença e da fé. Será que o Pinto da Costa conta como líder religioso? Assim sempre são mais uns dias sem trabalhar. De cada vez que o Jesus do Benfica der uma conferência de imprensa há cerca de 6 milhões de pessoas que estão dispensadas do trabalho. Temos preguiça de ir à igreja mas se nos subornarem com um dia de folga para andar atrás do Papa nós vendemo-nos imediatamente. Somos um povo de fácil adaptação a qualquer situação.
terça-feira, 9 de março de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Ordo a chao...
Estamos em risco de ficarmos conhecidos como o país dos túneis. E não é só pelo que tem acontecido no futebol. Seja na Economia ou na Política, o túnel é cada vez mais o símbolo desta nação que já chegou a dominar literalmente meio-mundo. As contas das principais empresas públicas não batem certo e há enormes derrapagens orçamentais nas principais obras públicas. A culpa de quem é? Dos túneis, claro. Parece que o dinheiro público anda a ser levado por algum caminho secreto localizado no subsolo. Ninguém o viu, ninguém sabe de nada. O dinheiro das empresas privadas aparece em off-shores e ninguém sabe como. A PJ desconfia que há túneis que vão directamente dos cofres para paraísos fiscais, por onde o dinheiro escorre naturalmente, sem interferência de ninguém. A culpa é da gravidade que obriga o dinheiro a cair. O Orçamento de Estado mostra que estamos falidos e que já tiramos a mão da frente à muito tempo. E a de trás foi logo de seguida. Qual a imagem que é transmitida pelo nosso Orçamento? Somos um verdadeiro túnel em forma de país rectangular. As multinacionais que chegam ao nosso país acabam por se perder numa densa escuridão, perdem o rumo, metem políticos nas suas estruturas, desgraçam-se e quando finalmente vêem alguma luz fogem logo para outro país. Nas cidades, as populações queixam-se do intenso tráfego diário. Resolve-se fazer um túnel para melhorar alguma coisa e parece que essa solução é capaz de abrir alguma Caixa de Pandora perdida no nosso subsolo. Como se ela já não tivesse sido aberta à muito tempo. Um buraquinho no solo. Toda a gente gosta de um buraquinho. E é esta realidade que é mais do que confirmada através de tudo aquilo que se passa no futebol português. As polémicas com as arbitragens já não chegavam. Faltava alguma sal ao nosso dia-a-dia. Faltava... um túnel. Como grandes ordinarões que somos, tinhamos de acabar as conversas a falar de um buraquinho. Os túneis dos estádios são algo do mais pornográfico que pode existir e isso parece mexer com o comportamento dos homens quando se encontram nesse espaço. Vai-se a racionalidade e fica a emotividade. Haverá melhor sítio para polémicas do que um túnel? É que estamos a falar de um buraquinho onde existe um constante entra e sai em dia de jogo. Faz lembrar alguma coisa? Claro que não. E se disser que esse túnel é escurinho e que ficou demonstrado que a temperatura aumenta exponencialmente no seu interior? Já sem falar que é um sítio muito procurado por câmaras de filmar. Agora, se calhar, já dá para perceber. O túnel dos estádios faz lembrar um forno. Somos um povo ordinário e o facto de sermos tarados é a mais pura explicação para o facto de neste país muita gente nos roubar e nós não fazermos nada. Eles mexem-nos na zona dos bolsos, nós pensamos que é tudo com intenções carinhosas, mas quando damos por ela estamos a olhar para um palácio (que não é nosso) como se fossemos uns burritos. Se nos querem assaltar, assaltem-nos! Mas com carinho.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Nihil urgent...
Pensem bem antes de sair de casa para ir às compras. Só o simples facto de atravessarmos a porta de casa em direcção à rua consubstancia uma perigosa aventura rumo ao desconhecido. Uma pessoa nunca sabe o que pode acontecer fora de portas. Que o diga uma escocesa de nome Kay Ure. A infeliz saiu de casa para comprar um perú e só voltou um mês depois. E demorou um mês devido às fortes tempestades que a impediram de regressar a casa, segundo ela. Não sei onde é que esta escocesa foi comprar o perú. Provavelmente, e dado o tempo que demorou a regressar a casa, ela deve ter procurado o perú no país com o mesmo nome. E deve ter ido a nado. Não sei é se o marido vai acreditar nesta desculpa... Tanto tempo sem ir a casa... Vamos lá ver se a escocesa não matou o perú com umas "facadinhas" no matrimónio. Se bem que, com tanto tempo fora de casa, não se possa falar propriamente em "facadinha"; um mês fora de casa deu para um brutal "esfaqueamento" no casamento. As mulheres estão cada vez menos sérias. Se ela morasse em Portugal e a desculpa para demorar um mês a voltar a casa tivesse sido a espera por uma consulta num posto médico, até acreditava. Mas demorar por ter ido comprar um perú já é uma desculpa muito batida. Já ninguém acredita em tal coisa. Posto isto, das duas uma: ou a escocesa se perdeu nos saldos (o que é perfeitamente natural nelas); ou então o whisky escocês é mesmo o melhor do mundo. Dá uma bebedeira de um mês. Aquilo bate mesmo.
P.S.: Com esta história dos casamentos homossexuais, quando voltar a ouvir o Emplastro dizer que o Pinto da Costa é o pai dele e o Vítor Baía é a mãe, eu já não me vou rir. Já vou olhar com uma certa desconfiança para ambos. Ai são um casalinho? Cuidado. É que se eles podem ter um filho, todos terão o mesmo direito.
(Lua de mel?)
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Munus publicum...
A pergunta do momento é: faz-se ou não referendo ao tema do casamento homossexual? Na minha mui humilde e modestíssima opinião, penso que os deputados fizeram bem em serem eles a decidir sobre esse assunto. Por vários motivos. Em primeiro lugar, porque não se trata de um assunto que irá interferir com a vida da maior parte da sociedade. Diz respeito a uma minoria e não acho que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo seja motivo para alguém ficar incomodado. Não é pelo facto de o meu vizinho estar casado com um homem que vou deixar de comer ou sair à rua. Há quem case com portistas e sportinguistas e ninguém se incomoda com isso. Em segundo lugar, e ao contrário do que defendem alguns clérigos portugueses, não creio que esta aprovação no Parlamento seja um atentado à democracia. Apenas se limitaram a aprovar uma lei, como tantas outras. Acho que os benefícios e isenções que tem a Igreja Católica são capazes de ser um atentado bem mais grave à democracia. E nem por isso peço referendos. Em terceiro lugar, esta aprovação no Parlamento é boa pelo simples facto de serem os deputados a decidir. É o trabalho deles! Estamos a pagar-lhes para eles fazerem alguma coisa. Ou vamos nós manter aqueles "míseros" salários que eles recebem para depois sermos nós a decidir a aprovação ou não de temas sensíveis para alguns? Eles que trabalhem! Que mostrem serviço! Como diz o povo, não andamos aqui a manter "pançudos"! Estão lá a representar os portugueses, por isso é obrigação deles tomar decisões. Não estou com disposição de os ajudar. Eles também não fazem o meu trabalho. Quer dizer, até fazem. Porque na maior parte do tempo eles estão a dormir... Bom, e para terminar, para que serviria o referendo? Para ninguém ir votar? Neste país, metade dos eleitores fica em casa nas eleições legislativas e autárquicas. Será que iriam votar num simples referendo? Não me parece. Acho que nem os subscritores da petição para o referendo iriam todos votar. E para termos referendos que não possam ter carácter vinculativo mais vale não fazer nada. Não gastamos dinheiro desnecessariamente e salvamos mais algumas árvores. Preocupações ecológicas...
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Loquuntur vulgo...
A quadra natalícia é, no mínimo, peculiar. Toda a gente fala do Natal da mesma forma que as candidatas a Miss Mundo falam daquilo que farão se ganharem. Só se fala em ajudar os mais necessitados, da alegria e paz no Mundo; fala-se e diz-se muita coisa que se traduz apenas nisso mesmo: algo dito da boca para fora. Sim, porque depois fazemos tudo ao contrário. Esta é uma época para as crianças, essencialmente. E o que fazem os adultos? Enganam as crianças. A essência do Natal assenta numa mentira: o Pai Natal não desce pela chaminé. Isso é ridículo. Ele entra pela porta como toda a gente. Então, porque é que continuamos a dizer à criançada que o balofo vem pela chaminé? Serão fantasias com buracos escuros, apertados e quentinhos? Ou vão agora dizer que um sujeito que visita todas as casas do Mundo apenas numa noite não consegue abrir uma simples porta ou janela? Enganar crianças e oferecer-lhes presentes. Há pessoas que vão presas por causa disso. Parem de mentir. O Pai Natal não merece tal desrespeito. Até porque a coisa que mais trabalho deve dar nesta altura é fazer embrulhos. Passamos minutos a fio a tentar fazer uma obra de arte com o embrulho, atendendo a todos os pormenores e formas físicas da prenda, e depois todo esse trabalho não é reconhecido porque as pessoas rasgam essa nossa obra de arte em apenas dois segundos e atiram a nossa "tela" para o lixo. Aí, sentimo-nos um bocado parvos. Tanto trabalho e dedicação que acaba por servir para muito pouco. Acho que só tem um trabalho pior quem faz os rolos de papel higiénico. Agora, imaginem a angústia do Pai Natal e de toda a sua equipa quando têm de embrulhar todos aqueles presentes e depois é tratado por velho gordo e pachorrento. Não queiram ser Pai Natal. Mas as mentiras às crianças não se ficam por aqui. Que história é aquela de se dizer que é Deus que está a "ralhar" connosco quanto está trovoada? Se é verdade, Deus tem uma voz que não é muito agradável e acho que não seguia em frente no Ídolos. E como costuma chover logo após o trovão, as crianças acabam por ficar a pensar que Deus se baba todo a falar, tal e qual um velhinho no lar. Deus deve ter mais que fazer do que mandar perdigotos cá para baixo. Dizemos que não se deve mentir porque caiem os dentes aos mentirosos. E nós é que estamos a mentir. Cair os dentes aos mentirosos? Só se for com a tareia que levam alguns mentirosos quando se descobrem as verdades. Não mintam. Para mentiras já chegam as campanhas políticas.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
2010...
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Ius abutendi...
E se um soutien também fosse capaz de servir de máscara de protecção contra a Gripe A? Bem sei que a ideia parece parva mas nos E.U.A., Japão, China e Índia a palavra "parva" deve ser das mais utilizadas. Desta vez, nos E.U.A., uma médica que nasceu e cresceu na Ucrânia e cujos pesadelos envolvem sempre o desastre de Chernobyl, resolveu transformar esse objecto de culto masculino na mais recente arma contra a propagação da epidemia. Com apenas dois ou três movimentos, consegue-se transformar um soutien em duas potentes máscaras. E não são umas máscaras quaisquer. Ficamos com duas máscaras de renda preta ou vermelha. Muito fashion. Não sei se a medida irá ser eficaz mas uma coisa é certa: vai ser a alegria de muitos tarados sexuais cujo fetiche consiste em meter o nariz em soutiens, sobretudo usados. Longe vão os tempos em que o vestuário servia apenas para que o ser humano não andasse nu por aí. Agora até a peça mais básica terá forçosamente de ocultar outra funcionalidade. Soutiens e Gripe A são uma mistura explosiva realmente. Vai passar a ser normal vermos as mulheres a tirarem o soutien em espaços públicos sempre que ouvirem um espirro. Se esta moda pegar, com a quantidade de mulheres que temos na Assembleia da República, quando alguma pobre alma espirrar ou assoar o nariz em plenário, vamos ter um verdadeiro espectáculo de soutiens a serem desapertados e aquele lugar nobre parecerá uma casa de strip. Mais ainda... Parece que já estou a ver a Manelinha a desapertar o soutien de forma extremamente sexy... Va, não consigo imaginar tal horror. Esta medida só traz um problema. O crime de abuso sexual terá aqui uma atenuante. Quando estivermos numa disco, com todos aqueles decotes a rodear a fraca carne do homem, se alguém espirrar e nós colocarmos as mãos nas mamas das "moças" isso já não será considerado abuso sexual porque poderemos sempre alegar que nos queríamos proteger da Gripe A e a jovem possuia o único meio necessário existente nas proximidades para a referida protecção. Passamos a ter direito de abusar. Para seduzirem um homem elas já não precisarão de andar decotadas. Basta chegarem perto deles e perguntar-lhes se querem brincar com a "sua máscara de protecção". Só grandes invenções. O que virá a seguir? Fio dental que se transforma em cinto de segurança?sábado, 28 de novembro de 2009
Homo theoreticus...
Uma das coisas mais tristes que pode acontecer é faltar a electricidade. A verdade é que já quase ninguém passa sem esse elemento de comodidade e felicidade. Basta estarmos uns minutos sem electricidade e quase que se gera o pânico na população. E só nesses momentos é que nos damos conta da enorme dependência da electricidade. Sobretudo quando ela falta durante a noite. Quando estamos às escuras, completamente desorientados, a primeira coisa que fazemos é tentar acender a luz. É mais forte que nós. Sabemos perfeitamente que não há electricidade mas mesmo assim parece que a nossa mão ganha vida própria e vai carregar no interruptor. Para nos sentirmos mais parvos ainda. Mas as cenas tristes não se ficam por aí. O mundo parece completamente parado e não sabemos o que havemos de fazer. Surge uma ideia: vamos ver um DVD. Olhamos para a televisão e logo começamos a auto-flagelação de insultos. Já que não dá, vamos para o computador. Outro estalo na cara. Vamos colocar o telemóvel a carregar. Mais um insulto. Não estamos preparados para estar muito tempo sem electricidade. Quando ela falta parecemos umas baratas tontas. Claro que há excepções. Há alturas em que se não houver electricidade até não nos importamos. Mas, regra geral, bastam dez minutos sem conseguirmos ligar a televisão para entrarmos em pré-depressão. Uma coisa que nunca acontece é faltar a electricidade quando precisamos que ela falte. Quantas vezes faltou a luz durante os exames? Nem uma vez. Quantas vezes faltou a electricidade quando estamos a tomar conta de putos terrivelmente melgas e eles nos estão a dar uma tareia na PlayStation? Nem uma. Se não a desligarmos muito discretamente ainda estamos sujeitos a passar maiores vergonhas. Isto tudo resume-se a uma conclusão: já não sabemos viver sem electricidade. Há quem diga que radical é escalar montanhas, fazer Rappel ou Bungee Jumping. Mas o que é mesmo radical é tentar urinar às escuras. Podemos ter alguns pontos de referência mas é sempre uma aventura "mudar a água às azeitonas" quando não vemos o alvo. Podemos arranjar sempre a solução da luz do telemóvel. Mas ela não é eterna e apaga-se de repente... E o pânico que daí advém pode conjurar um desastre natural. Com a aflição de acendermos novamente a luz, é quase certo que haverão danos colaterais.quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Grex ovium...
Já se sabia que as crianças inglesas não são propriamente dotadas a nível de raciocínio. Não são. As suas capacidades intelectuais estão geneticamente limitadas. Tantos anos de monarquia não poderiam fazer bem a um povo, sobretudo quando uma mulher está há tantos anos sozinha no trono e o seu sucessor é o Carlitos. A prova do referido "atraso" das crianças inglesas revelou-se quando lhes fizeram a pergunta:"Quem foi Hitler?". E uma das respostas que muitos alunos deram foi:"Hitler foi seleccionador da Selecção alemã de futebol". Esta pergunta demonstra duas graves falhas. Primeiro, fica demonstrado que os professores de História ingleses são piores que os portugueses. E em segundo lugar, ficou também demonstrado que os putos ingleses não percebem nada de futebol. Esta situação nunca ocorreria nas escolas portuguesas porque até a besta mais atrasada neste país tem um conhecimento razoável de futebol e nunca cairia no erro de dizer tal barbaridade. Até porque o manual de leitura mais consultado nas escolas portuguesas é o diário desportivo, quanto mais não seja para ver a miúda que aparece despida na penúltima página. No meu tempo, só apareciam fotos de jogadores no jornal e por isso é que dávamos tanto valor às miúdas que andavam connosco na escola e andavamos sempre atrás delas. Agora não. Até o desportivo traz miúdas despidas e de grande qualidade visual. Por isso é que eles depois olham de lado para as companheiras da escola e torcem o nariz. Com aquela base de comparação elas não têm hipótese. As expectativas ficam demasiado altas. E também é por isso que se fala cada vez mais em casamentos homossexuais. Bom, mas confundir Hitler com o seleccionador da Alemanha só revela que a praga que os portugueses lhes rogaram já está a produzir efeitos. Os portugueses não se esqueceram daquela história do Mapa cor-de-rosa nem do Tratado de Methuen. Mandarem para cá farrapos à troca do nosso valiosíssimo Vinho do Porto? Então fiquem lá com filhos asnos! Se Hitler era o seleccionador então quem era o Himmler? Era o adjunto? E as SS? Eram a claque organizada de apoio... E a Eva Braun seria uma espécie de "Paula", a dos estágios da selecção portuguesa. Mas Hitler utilizava uma táctica que nunca poderia resultar no futebol mundial porque utilizava muitos "extremos direitos"... Uma piada táctica. E porque até a resposta mais parva acaba por ter alguma conexão com a realidade, a ideia de Hitler ser seleccionador da Alemanha até lhe assenta bem. De facto, o que Hitler mais fez na vida foi selecções: ele seleccionava aqueles que eram alemães de "raça pura" daqueles que não o eram; seleccionava aqueles que eram judeus e aqueles que não eram. Tem uma certa lógica. Há seleccionadores, como o Queiroz, que são "queimados" pelas suas escolhas, por aqueles que selecciona. No caso de Hitler era precisamente o contrário. Ele queimava os seleccionados. Imaginem agora o Hitler a fazer aquele anúncio ridículo em vez do Scolari em que este está a convocar o "Manel do talho", o "Quim da padaria" e o "Zé engenheiro" para o Mundial. Claro que no caso do Hitler ele iria convocar o "Manel cigano", o "Quim testemunha de Jeová" e o "Zé judeu".
sábado, 31 de outubro de 2009
A idade é um (o)posto...
Um homem e uma mulher casaram na Somália. E da maneira como anda o mundo, daqui por uns tempos o facto de duas pessoas de sexo diferente se casarem é que vai ser algo de estranho. Espero estar enganado. Mas este casal foi notícia porque a noiva tem 17 anos, o que é algo muito raro na Somália. Já o noivo tinha uns comuns 112 anos. Se tivermos em conta de que a esperança média de vida na Somália é de 46,9 anos para os homens, deduz-se facilmente que Ahmed Muhamed Dore já viveu praticamente o equivalente a três homens da Somália. E ainda tem força para andar por aí de roda no ar. Eu descofio seriamente da idade destes africanos já que muitas vezes não corresponde à realidade. Normalmente, costumam ter cinco anos a mais do que aquela idade que declaram, o que é muito comum sobretudo naqueles que praticam desporto. Se é o caso de Ahmed, a situação torna-se ainda mais grave. Estaremos na presença de alguém que nasceu no séc. XIX; de alguém que trata o rádio como "modernices". Bom, mas Ahmed diz que não forçou a jovem a nada, até porque duvido de que tivesse forças para alguma coisa. Ahmed diz que utilizou apenas a sua experiência pessoal para convencê-la do seu amor. De facto, este senhor deve ter muitas histórias para contar. E 112 anos a bater coros devem dar-lhe já um certo estofo nesta matéria. Porém, Ahmed utilizou basicamente o argumento da hereditariedade para convencer a jovem: disse-lhe Ahmed que já tivera casado com a bisavó e com a avó da jovem e que já tivera um caso fugaz com a sua mãe. Só faltava ela. E a filha dela que há-de nascer um dia. Isto tudo é gravíssimo. Mais de 70 anos de diferença de idades deveria ser considerado pedofilia. Não devem ter grandes coisas em comum. A não ser o facto de ela "perder os três" antes dos 19 e ele ter "perdido os três" no séc.XIX. Este senhor é um ordinarão. Gosta delas bastante mais jovens que ele. Que arranje uma mulher da idade dele, esse velho caduco. Se bem que não deve ser fácil, sobretudo num país onde as mulheres só costumam viver até aos 50 anos. Mas isto também não é desculpa. Este velho tarado que procure noutro país. Que fale com a Lili Caneças. Se é calor no leito que ele quer, que peça para ser cremado.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Frustra canis...
Eu tento arranjar outros temas para os posts que nada tenham que ver com religião. Tento mesmo. Mas não adianta. Ligo a televisão e estão a falar de religião; leio o jornal e lá falam de histórias caricatas envolvendo a religião; vou à net e lá não faltam referências a factos estranhos sobre "religiosos". As religiões andam parvas. Ou melhor, as pessoas responsáveis por essas religiões. Sobretudo no que diz respeito à Igreja Católica. Vamos por partes.
Em primeiro lugar, tivemos um "fantástico" debate entre Saramago e o padre Carreira das Neves. Um debate digno do Gato Fedorento. Muita cordialidade entre duas pessoas ultrapassadas. No fundo, aquele debate só serviu para fazer publicidade a esses dois grandes romances que prometem vender imensas cópias nos próximos meses: o "Caim" e a "Bíblia". Está a dar-se muita importância, mais uma vez, a esse senhor de apelido Saramago que, apesar de ter boas ideias, passa a vida a dizer mal de tudo. Ele é que é perfeito. Portugal não serve para ele. E ainda bem que ele foi para Lanzarote. Quando vem cá só diz asneiras. Colocou em causa o país, agora coloca em causa a Bíblia e o "Barbinhas"... Não me admirava nada que amanhã este senhor coloque em causa a reputação da sua própria mãe. Qual é o espanto de vermos um comunista a falar mal de Deus? Para mim a notícia seria bombástica se Saramago se convertesse.
Ponto 2: foi detido o padre Fernado Guerra, sendo acusado de posse ilegal de armas. Em sua casa foi descoberto um verdadeiro arsenal de luxo, capaz de fazer corar muitos líderes das favelas brasileiras. Muitos paroquianos referiram-se ao padre como um autêntico "gangster" americano. Mais uma vez fico a pensar que a culpa de tudo isto é da rigidez da Igreja Católica. É por causa disso que o padre Fernando Guerra deve ter confundido epístolas com pistolas. Se o Deus da Bíblia é vingativo e implacável, então o padre Fernando Guerra anda a espalhar a Sua palavra... Este senhor enganou muitas paroquianas. Muita mulher da sua paróquia foi induzida em erro ao pensar que aquele inchaço que se notava sob a sotaina na zona púbica do padre se devia aos seus talentos naturais. Quando souberam que afinal se devia a uma pistola, a desilusão era evidente na cara da maioria.
Ponto 3: a Igreja Católica vai aceitar padres anglicanos casados e reconhecê-los dentro da sua estrutura. Tudo para acalmar um pouco as hostes em relação aos anglicanos. Isto não é parvo? Então e os padres "normais" não poderão agora exigir igualdade de tratamento? Sim senhor, a religião é para todos mas as mulheres são só para alguns. Os anglicanos vão poder dormir com os pés quentes, com alguém com quem partilhar o calor corporal. Os padres "normais" vão ter de continuar a pagar por companhia. Não é justo. Uns podem pecar e outros não. Assim não custa ser padre anglicano. É só coisas boas. Boas isenções fiscas, bons benefícios por parte da população e boas mulheres. Mas, e se algum padre anglicano decidir casar...com outro homem?? Será que o Papa também vai reconhecer o casamento homossexual? Isto de ser verdade e incontestável tudo o que o Papa diz é uma grande treta. A infalibilidade papal é daquelas coisas que de mais parvo existe. Quem é que no seu perfeito juízo, em pleno século XXI, acha que um ser humano não erra? Ainda para mais um Papa com um certo historial de extrema direita...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Expensae litis...
Há coisas engraçadas. Olho para a televisão e vejo que ela tem dois anos de garantia. O aparelho de música também. O telemóvel, o computador e o leitor de Mp3 desfrutam do mesmo prazo para garantia. Até a "pen" que me custou quatro euros tem dois anos de garantia. E quantos anos de garantia têm os submarinos que comprámos? Um anito... Das duas uma: ou estes submarinos não são para serem usados ou então quem assinou o contrato de compra dos submarinos confia mesmo no trabalho dos alemães. Um mísero ano de garantia. Porque é que não os compraram na Worten ou na Rádio Popular? Comprei um DVD virgem por poucos cêntimos e dão-me dois anos de garantia. Basta apresentar o talão de compra. Será que já perderam o talão dos submarinos? Como é possível uma coisa que custou poucos cêntimos ter dois anos de garantia enquanto aquele supositório gigante que vai andar debaixo de água com pessoas a bordo durante horas seguidas só ter um ano? Por um lado até se entende. Afinal, os submarinos só custaram 832,9 milhões de euros. Uma pechincha... Uma coisa assim tão "barata" não deve ter problema algum, de certeza. Ou, como já referi, confiámos demasiado nas pessoas. Acho que se não entrar água nos submarinos já vamos ter muita sorte. E então se eles sempre funcionarem vai ser mesmo qualquer coisa de espectacular...!!! Ficamos foi sem saber se nesses 832,9 milhões de euros já estão contabilizados os cerca de 34 milhões de euros que foram desviados para parte incerta. Os submarinos ainda não chegaram mas já afundaram dinheiro. Quase que dá para ouvir os Beatles a cantarem:"We all live in a yellow submarine". Mas o nosso submarino não deve ser amarelo. Da maneira como andou a ser desviado dinheiro destinado à compra dos mesmos, de certeza que eles vão ser azuis, da cor do saco de Felgueiras. Ou da cor do CDS-PP... Coincidências.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Dum tela micant...
Gostava de saber quem foi o infeliz que deu o meu número de telemóvel à D.G.S. e não me avisou de nada. Haviam de lhe cair os dentes todos. Anda agora uma pessoa a ser constantemente incomodada com mensagens de uma tal de D.G.S.. É que ainda por cima não se identifica. A única coisa que se sabe sobre essa pessoa são umas iniciais muito suspeitas. Pensava que a D.G.S. tinha dado lugar à G.N.R.. Estava enganado. Voltando ao tema, foi uma brincadeira de muito mau gosto darem o número sem avisar. É que andam sempre a mandar a mesma mensagem, sempre a repetir-se. Podiam ao menos alterar o conteúdo. Se por um lado até entendo que se brinque com a Gripe A já que é um assunto "in", por outro lado fico indignado com os insultos que a D.G.S. me anda a dirigir. Mandar-me mensagens a dizer para eu reforçar as medidas de higiene? Mas o que é isto??? Estão a dizer que cheiro mal?? É gravíssimo recebermos este tipo de mensagens insultuosas. Um banho por mês chega perfeitamente. Aliás, o banho mensal é uma grande medida de prevenção. Quantos menos banhos tomarmos, menor é a probabilidade de constiparmos com correntes de ar. Logo, é menor a probabilidade de apanharmos Gripe A. Esta ministra da Saúde é uma vergonha. Encerra-nos urgências e maternidades, mantém as taxas moderadoras e obriga-nos a ficar em casa se tivermos sintomas de gripe. Já não pode uma pessoa envaidecer-se e mostrar a toda a gente que também tem Gripe A? Temos de nos manter na clandestinidade, à espera do 25 de Abril do H1N1. Preferia que mandassem mensagens antes de eu pedir uma francesinha especial com batatas a dizer:"Cuidado, olha o colesterol...". E quando quisesse pedir um bolo outra a dizer:"Cuidado com os diabetes, gordito!". A D.G.S. que guarde essas mensagens para avisar as pessoas sempre que o médico de família não vá trabalhar, o que acontece com alguma frequência. Esperamos um mês por uma consulta, chegámos ao centro de sáude e dizem-nos que "o Doutor informou que iria faltar". Mas informou quem? A mim ninguém me disse nada! Não recebi nenhuma mensagem do médico a dizer que ia faltar. Mas nestas situações já não há mensagens da D.G.S. para ninguém.

sábado, 26 de setembro de 2009
Certaminis gaudia...
Afinal, quem é que anda travestido? O Sócrates dizia que era o Jornal Nacional. Por seu lado, o Marques Mendes disse que o PS é que anda travestido. Esta campanha eleitoral acaba por ficar marcada por homens que se vestem de mulheres. O que me preocupa é o seguinte: que casas de reputação duvidosa é que os nossos políticos andam a frequentar para tanto falarem de travestis? Será que a crise já chegou à classe política ao ponto de os nossos políticos já não terem dinheiro para as tradicionais prostitutas? Vão passar a andar com travestis? Por isso é que eles já querem adoptar o casamento homossexual. É que o aspecto negativo de experimentar coisas diferentes é mesmo o de se ficar a gostar. Contudo, esta alegoria do travesti até encaixa muito bem como a verdadeira imagem do real estado do país: estamos mascarados de uma coisa que não somos, andamos a tentar mostrar que somos uma nação desenvolvida quando estamos muito atrasados; a maquilhagem, por muito que se use, não disfarça as imperfeições naturais, por isso não adianta construirmos aeroportos, linhas do TGV e auto-estradas pois isto não faz com que o dinheiro nos apareça nos bolsos; e, tal como os travestis, Portugal tem algo na sua intimidade que, por muito que se tente esconder, acaba sempre por ser notada, que é o défice das contas públicas. Somos um país travestido recheado de políticos mascarados. Mas é bom notar que os nossos políticos também vão evoluindo, que não falam sempre das mesmas coisas a que já ninguém liga tipo saúde, educação ou economia. Até esse dinossauro da política e criminologia portuguesa chamado Valentim Rex Loureiro vem falar em espermatozóides. O nível de linguagem da política aproxima-se a passos largos do nível das conversas de café. O que aumentará claramente o interesse pela política. Mas se o Marques Mendes é realmente um espermatozóide que anda por aí perdido, é bom que o Ministério Público averigue quem foi o ordinarão que o soltou em público. É um fluido natural, sim senhor; é biodegradável, também; mas fazer essas coisas em público é que não pode ser. Sendo a política um mundo de homens, estas bocas de travestis do Sócrates e do Marques Mendes deixam uma dúvida no ar: será que a Manelinha é mesmo uma mulher?
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Escutas ou voyerismo?
A curiosidade afinal não é apenas um grande defeito das camadas mais baixas da sociedade. Onde menos se espera haverá sempre alguém atento às conversas, aos movimentos... Para logo de seguida contarem tudo o que se passou, ponto por ponto, vírgula por vírgula. Até no Palácio de Belém temos bufos. Depois de o acessor do Presidente da República ter sido demitido por alegadamente andar a vigiar o Cavaquinho, fica-se com a ideia de que vivemos num Big Brother, onde todos os nossos movimentos são controlados por um ser invisível. Mas fica a pergunta no ar: não haverá gente mais interessante para vigiar do que o Presidente da República? Tudo bem que ele é a pessoa mais importante do Estado, mas acho que as conversas dele devem ser tudo menos interessantes. E os momentos de intimidade entre o Cavaco e a Maria não devem ser, com certeza, um bom espectáculo. Porém, há fetiches e fantasias para todos os gostos. Só que este tipo de voyerismo é estupidamente ridículo. Não controlem mais políticos. A vida deles é simplesmente um tédio. Se as suas rotinas diárias fossem como a do Berlusconi, aí sim teríamos grandes espectáculos. Porque em Itália é que a Lei da Paridade é bem aproveitada. Elas são escolhidas a dedo, atendendo aos seus "volumosos" talentos. Ninguém conseguiu entender esta atitude do Cavaco precisamente porque não deu explicação nenhuma, logo ele que tanto gosta de falar quando não deve. O mistério fica no ar. Quanto a nós, comuns e anónimos cidadãos, temos de ter cuidado com as nossas conversas. Se ouvirem ruídos estranhos no telemóvel durante alguma chamada, não se apoquentem. Provavelmente, isso deve-se ao facto de terem um telemóvel muito fraco.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Bonum summum...
Mais uma bomba vinda directamente da TVI, mas desta vez não está relacionada com a extinção de um jornal: a Júlia Pinheiro disse numa entrevista o seguinte que passarei a citar: ""Uma canção para ti" é aposta de continuidade"! Porque será que deste canal não sai nada em condições, nada que ajude o país? Até a Selecção passou a ter dificuldades desde que os jogos passaram a ser transmitidos pela TVI. Como este canal pertence a uma empresa espanhola, mais ênfase ganha o adágio de que de Espanha nem bom vento nem bom casamento. Mas esta revelação da Júlia Pinheiro é algo tão grave que ameaça até desviar as atenções sobre as campanhas eleitorais. Vamos ser obrigados a ver mais uma centena de emissões deste programa horrível e cansado. Já não bastava termos o tempo de antena e aqueles programas eleitorais? Para piorar a situação, o Manuel Luís Goucha vai fazer dupla com a Júlia Pinheiro. Isto é um enorme atentado ao pudor. Este tipo de programas destroiem as noites dos nossos fins-de-semana. A televisão portuguesa em canal aberto durante esse período de tempo é mais que miserável, dado que os outros canais também irão manter programas do género para haver concorrência. Concorrência para saber qual será o programa mais parvo, onde as pessoas fazem mais figuras de urso. Aos sábados e domingos à noite, a nossa televisão é inundada por pessoas que cantam pior que a Floribela e por pessoas que dançam bem pior que eu... Com estes programas não acaba o Sócrates...UPS! Queria dizer era a direcção da TVI... Já não chegavam as trezentas novelas por dia? Parece que não. Vamos ser obrigados a ver novamente um grupo de frustrados que sempre sonharam ser o novo Emanuel. Ou então umas jovens armadas em santinhas, que choram por criancinhas passarem fome e acabam a pôr silicone nas mamas e a aparecerem em revistas pouco católicas. Era preferível que voltassem os Big Brother's. Porque lá os animais sempre estavam em cativeiro.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Auras diverberat...
Muito se tem falado sobre a Ministra da Educação. E quase sempre as palavras sobre a senhora e o seu ministério são tudo menos agradáveis. Critica-se o estado da Educação em Portugal, questiona-se o nível de conhecimentos dos alunos portugueses. E a área onde mais se fala em sub-rendimento é a Matemática, para não variar. Números e contas, as grandes perdições dos portugueses. A culpa de tanta ignorância deve-se também, como não podia deixar de ser, à crise. O facto de os portugueses não terem dinheiro para gastar, o problema de não terem nada nos bolsos além de lenços sujos por causa da Gripe A, leva a um grande retrocesso na evolução da mentalidade científica dos portugueses. Quando tinhamos pouco dinheiro éramos uns especialistas na área porque estavamos obrigados a fazer inúmeras contas para saber quando e onde investir uns míseros patacos. Mas agora que já não temos nada, essa questão já não se coloca. Há uns anos atrás estavamos de tanga. Agora, até isso nos tiraram. E, como é óbvio, quando estamos nus a última coisa que nos passará pela cabeça serão números e contas. Mas também estou a ser injusto e quiçá exagerado. Os políticos tiraram-nos a tanga mas em contrapartida deram-nos o rendimento social de inserção. Deixam-nos nus e dão-nos dinheiro. Isto é o mais flagrante caso de prostituição social desde o Grito do Ipiranga. E a aposta no Simplex em detrimento do clássico Correio Postal, também serve para nos rebaixar mais ainda: depois de sermos abusados pelo Governo, acordamos e encontramos dinheiro não na mesa de cabeceira, mas na conta bancária. Pior que nós em contas, só mesmo no Afeganistão. Já tinha começado a desconfiar disso quando começaram a enviar para lá alguns agentes da Guarda Nacional Republicana. As suspeitas confirmaram-se quando se ficou a saber que nesse país uma simples recontagem dos votos eleitorais demoraria qualquer coisa como seis semanas... São bem mais rápidos a planear atentados.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Vestis virum facit...
Chama-se Lubna Ahmed al-Hussein e nasceu no Sudão, esse belo país que há-de ficar em algum ponto do planeta Terra. O que torna esta mulher especial? Trata-se de uma jornalista que escapou a 40 chicotadas. Bem sei que apenas isto não a tornaria especial. Aqui em Portugal também há muitos jornalistas que mereciam bem mais chicotadas. A Manuela Moura Guedes e o seu escudeiro Vasco Pulido Valente seriam das primeiras pessoas a saborear o chicote. Mas Lubna foi notícia por ter sido condenada a uma multa de 140 euros por usar calças, multa essa que se transformou em dias de cadeia por ela se ter recusado a pagar. O tribunal sudanês considerou que as calças são "roupa indecente". A alguns milhares de quilómetros do Sudão, num país chamado Portugal, acontece precisamente o oposto. No país de Afonso Henriques, o tal que batia na mãe, há mulheres a serem perseguidas e condenadas por tirarem as calças. Continuam as investidas contra as casas de "companhia fácil", sendo presas e até deportadas algumas das trabalhadoras que muito suam para garantir o seu salário. Esta será talvez a maior diferença cultural entre Portugal e o Sudão, o uso ou o não uso das calças. Se a globalização é uma realidade, vamos ter de chegar a um consenso com o Sudão. E nesta história nós é que estamos mal. Temos de deixar em paz as mulheres que gostam e querem tirar as calças. Será a solução para ultrapassarmos a crise. Ou então para não pensarmos nela. Estamos a ser demasiado conservadores. Até porque as pessoas que condenaram e continuam a condenar essas mulheres, são as primeiras a recorrer a essas casas alternativas na procura da "equidade". Aprendamos com os sudaneses. Eles é que sabem. Vamos punir as mulheres que usem calças. Mas não é puni-las com chicotadas porque para muitas delas isso não será propriamente um castigo. As mulheres que usarem calças não poderão ir às compras. Deve ser castigo suficiente.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Una voce...
Imaginem a seguinte situação: vocês estão prontos para sair de casa, devidamente vestidos e perfumados depois de terem demorado apenas dez minutos a arranjarem-se; juntamente convosco está um grupo de pessoas igualmente impacientes para irem para o "gandaio". Está toda a gente na sala à espera de um ser infeliz que demora a aprontar-se e que atrasa consideravelmente a hora de saída. O tempo vai passando enquanto a criatura se vai produzindo e o sono vai apoderando-se de todos os corpos presentes na sala. Até que, após várias horas de espera, surge a criatura na sala com o maior dos sorrisos por estar finalmente pronta para sair de casa. E qual é a primeira palavra da "criatura"? Será que pede desculpa pelo atraso? Será que se desfaz em mil perdões por nos ter feito esperar? Não. Este ser atrasado apenas abre a boca e solta um ligeiro "Vamos lá?". Bom, aquilo que tenho reparado é que toda a gente tem esta reacção. Até eu próprio já o fiz várias vezes. O que me leva a acreditar que o ser humano não é apenas palerma como também é parvo. Não adianta sabermos perfeitamente que estamos atrasados que o nosso subconsciente irá sempre convencer-nos a dizer o "Vamos lá?". Engraçado era alguém sair-se com esta frase e quem está à espera dizer: "Não, já não vamos sair. Depois de tanto tempo à espera decidimos ir ver televisão. As televendas estão melhor que nunca. Animadíssimas..." O pior de tudo é que estas frases parvas nos saiem com uma naturalidade assustadora.
Isto faz-me desejar que o D.Sebastião nunca apareça. Depois de tanto tempo à espera que ele nos venha salvar da crise, eu até já tenho medo que a primeira coisa que ele diga quando chegar seja:"Vamos lá?". Continuo a preferir o "We can". Mas da maneira como gostamos de trabalhar e caso D.Sebastião falasse inglês, ele não diria "We can" mas sim "Week-end".
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Tempora acta...
Eu não sou pessoa de ler revistas cor-de-rosa. Longe de mim tal coisa! Sou completamente contra esse tipo de revistas que não têm nada de cultas, onde até as palavras-cruzadas estão relacionadas com pistas sobre a vida alheia. A única coisa inteligente que se retira daqueles textos é o segredo de manter a mente feminina ocupada durante dias e dias seguidos, alheando-as de todos os assuntos que nós homens não queremos que elas se debrucem. Bom ,estava eu a folhear uma dessas revistas (por puro engano) quando me deparo com uma citação do ser humano mais plástico desde a criação do BigMac: a tia Lili Caneças. Este ser "esticado" dizia na revista que planeava viver até aos 200 anos. Portugueses! Depois de termos perdido Raúl Solnado, estamos prestes a perder esse grande vulto da cultura cor-de-rosa que marcou gerações! Se o que ela diz for verdade, só devemos ter mais 5 anos de Lili Caneças, que fará no próximo mês de Setembro 195 anos. Esse é precisamente o número de plásticas que a referida musa do Jet Set nacional já realizou. Mas pior que essa afirmação é a foto que acompanha o artigo. Como é possível publicarem uma foto da Lili Caneças em triquini?? Não há ninguém que censure tal coisa?? Acho que nem a múmia da Cleópatra se encontra num tal estado de decomposição. Mostrar o corpo é uma coisa bonita até certa idade. A partir dessa idade as pessoas deviam ser pagas para aparecerem o mais vestidas possíveis. Tudo por uma questão de saúde pública. Os cadáveres não devem andar destapados por aí, ainda para mais nesta época de altas temperaturas. Até a Maya já aparece nas capas de revistas masculinas. Mas porquê?? Como é possível?? Ela nem sequer devia aparecer num ínfimo canto de uma dessas revistas, quanto mais na capa! O que se passa com este tipo de revistas? A Maya?! Querem tornar impotentes os portugueses? É desta forma que o Governo vai aumentar a natalidade deste país?! Parece-me que tudo isto faz parte de mais uma medida anti-natalista do Tio Sócrates. Uma medida que visa também o aumento da concentração no trabalho para os funcionários públicos. Porque assim que estes forem à net, durante o expediente, procurar sites ordinários, ao encontrarem as fotos da Maya eles vão logo desligar os computadores e concentrarem-se no trabalho para esquecerem a horrível visão que tiveram.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Scelus omnia vincit...
Portugal é um país de personagens únicas, invulgares. Os genes lusos incutem um tremendo carácter de originalidade a quem os possui, fazendo com que não existam dois parvos iguais. Este perfil psicológico invulgar transforma-nos nos maiores criadores de cenas inocente mas muito estupidamente parvas. Umas destas "aves raras" é Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras. Este ser iluminado que acaba de ser condenado a 7 anos de prisão, vai ser novamente candidato à referida Câmara. Isto porque os portugueses são tão boas pessoas, mas tão boas pessoas, que até arranjam "tachos" para os criminosos. A gente séria não merece. Mas o Isaltino demonstrou durante todo este processo que é uma personagem fora do normal e que merece mesmo um novo mandato. Se estivessemos no tempo da Monarquia e caso Isaltino fosse rei, haveriam várias hipóteses para o seu cognome. Ei-las:
Isaltino, o Patriarca: durante o processo, o autarca foi acusado de ter uma conta na Suiça cujo dinheiro depositado era de "origem incerta". Isaltino defendeu-se, dizendo que a conta era da irmã e do sobrinho. Este homem é um exemplo para o mundo nesta época de descrença e da decadência dos valores morais. Isaltino "adoptou" também as contas dos familiares e gere-as como se fossem suas! É que parecem mesmo dele! Compra, investe, transfere. E o capital sempre a aumentar. Um bom exemplo de uma família feliz.
Isaltino, o Poupado: segundo Isaltino, o crédito na conta que detinha na Suiça dizia respeito a dinheiro que havia sobrado das campanhas eleitorais. Quando vemos o Presidente da República a vetar o novo diploma do financiamento partidário, fica aqui mais um bom exemplo de boa gestão. Não é necessário gastar tanto dinheiro em isqueiros, canetas, aventais, bolas e baralhos de cartas nas campanhas. Também é possível poupar e colocar essas poupanças a render na Suiça. Como diz o povo, no poupar é que está o ganho.
Isaltino, o Precavido: em plena crise económica, seria possível que Isaltino cometesse o erro de depositar o dinheiro num banco português? Nada disso. Isaltino é astuto, tem visão e não correria riscos de perder o dinheiro ganho com "muito suor" num qualquer banco falido português. Por isso escolheu um banco suiço. Não há sítio onde o dinheiro esteja mais seguro. Dava um bom ministro da Economia...
Isaltino, o Político: afastou-se do governo de Durão Barroso em que era ministro, depois desta famosa conta na Suiça ter sido descoberta e pelo facto de Isaltino não a ter declarado ao Tribunal Constitucional. Nesse preciso momento, assumiu que não iria exercer qualquer cargo público enquanto estivesse a decorrer o processo. Como bom político que é, Isaltino não cumpriu a promessa. Logo de seguida tornou-se presidente da Câmara de Oeiras. A política consiste em dar o dito por não dito, em não honrar os compromissos. E Isaltino é um "expert". Se bem que, da maneira como ele se apoderou de Oeiras, a presidência da Câmara não será um cargo público mas antes um caso de gestão privada.
Isaltino, o Bem-educado: a boa-educação exige que não recusemos uma oferta, um presente, qualquer que seja ele. A cavalo dado não se olha o dente. Por ser bem-educado, Isaltino acabou por ser condenado por abuso de poder e corrupção passiva, apenas por ter aceite um cheque de 4 mil euros e um terreno oferecido pela Câmara de S.Vicente, em Cabo Verde. Neste país até a boa-educação é crime.
Isaltino, o Parvo: às vezes, quando estamos muito concentrados em nos defender de críticas e ataques pessoais, acabamos por "dar tiros nos próprios pés". A exaltação do Ser Humano baixa consideravelmente os níveis de atenção relativamente àquilo em que pensamos e que dizemos, e acabam por sair verdadeiras "pérolas" do humor mais parvo que pode haver. Isaltino foi confrontado pela juíza por alegadamente ter andado a fugir ao Fisco. E o que diz Isaltino? Que é tudo mentira? Que é uma cabala contra ele? Que o Fisco se enganou? Não. Nada disso. Isaltino assumiu ter fugido ao Fisco e disse que "todo o bom português o faz". Que grande desculpa. Sim, senhor! Há pessoas que fogem ao Fisco e elas servem de desculpa para eu fazer o mesmo. Aliás, eu ando aos tiros aqui na aldeia porque vejo o pessoal na televisão a fazer o mesmo... Ó Isaltino.
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